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“Preconceito prejudica a evolução do paciente com Parkinson”, diz neurologista itabirano

Parkinson

O neurologista Tiago Alvarenga. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Na manhã desta terça-feira (11), o Centro Universitário Funcesi realizou um evento de confraternização voltado ao Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, relembrado hoje. A atividade foi organizada pela Associação Neurológica de Itabira, apoiada pela instituição de ensino, e foi apresentada pelo neurologista itabirano Tiago Alvarenga, homenageado com a entrega de um certificado durante o evento.

A homenagem foi conduzida pelo presidente da Funcesi, Maurício Mendes. No discurso, ele valorizou o papel exercido por Tiago no meio acadêmico e citou alguns dos projetos desenvolvidos no espaço.

“O Tiago é mais que um profissional, é uma pessoa realmente diferenciada. Tem esse programa do Parkinson, mas tem outros programas que conjuntamente desenvolvemos com diversos parceiros. Projetos voltados ao tratamento de AVC, cefaléia, epilepsia… junto com o Ciscel, com a Associação e também, claro, com nossa Funcesi”, destacou Maurício.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Além disso, o doutor Pedro Drumond, um dos primeiros voluntários da Associação Neurológica de Itabira, apoiada pela Funcesi. Ele se dedicará, agora, a projetos pessoais em João Monlevade e Nova Era.

Pedro Drumond também foi homenageado durante o evento. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Preconceito

Em entrevista à DeFato Online, Tiago Alvarenga ressalta que não há uma cura para o Mal de Parkinson, mas algumas práticas podem atenuar a evolução da doença. Uma delas, diz, são as atividades físicas, descrita por ele como a “principal prescrição do neurologista” atualmente. Outro desafio citado pelo profissional é o preconceito da sociedade com os pacientes.

“Felizmente, nos últimos anos foram lançados medicamentos para ajudar nos sintomas, mas a principal luta do paciente de Parkinson é contra o preconceito. Infelizmente, o preconceito que a sociedade – e às vezes até o próprio paciente – tem com a doença de Parkinson, achando que ele é um paciente incapaz, prejudica muito a sua evolução. E nesse conceito, fatores como inclusão e atividades coletivas contribuem muito, e consegui ver isso sendo realizado na funcesi. Há cerca de dois anos, a entidade desenvolveu o projeto ‘Não para no Parkinson’, que faz um trabalho maravilhoso”, detalha.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

O neurologista também destacou o quão importante é o tratamento precoce da doença. “Como eu disse, não existe nenhum remédio que muda a evolução da doença. No entanto, começando o tratamento precocemente você consegue incluir o paciente em atividade física, fisioterapia, fonoaudiologia… outras questões que vão melhorar o psicológico do paciente e, consequentemente, a vida dele a partir daquele momento. Mas volto a dizer: a principal questão é quebrar o preconceito. Como o próprio nome do grupo diz, a vida não para no Parkinson. Ela vai mudar um pouquinho, mas não vai parar”.

Líder do “Não para no Parkinson”, projeto citado por Tiago e desenvolvido na Funcesi, Patrick Viana diz que um dos seus objetivos é promover a socialização perdida por diversos pacientes a partir do diagnóstico da doença. Hoje, o grupo atende cerca de 50 pessoas.

“O grupo surgiu a partir de um convite feito pelo Tiago, há aproximadamente dois anos. E foi um desafio apresentado a mim, abracei a causa e hoje ele tem ajudado bastante os participantes nessa questão da socialização, que é o mais importante. Porque muitas vezes, quando o paciente recebe o diagnóstico de Parkinson, a vida dele praticamente muda. Ele deixa de sair, praticar uma atividade, ter convívio social. Mas quem participa do grupo apresenta melhorias na qualidade de vida e socialização”, afirma.

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