Em um passo considerado estratégico para a regionalização da saúde em Minas Gerais, a Prefeitura de Itabira formalizou, na última quarta-feira (18), a concessão de um terreno de 25.518,16 m² à Irmandade Nossa Senhora das Dores, mantenedora do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). A área, localizada ao lado da unidade hospitalar e avaliada em mais de R$ 7 milhões, será destinada à ampliação da estrutura física do hospital, com previsão para construção de um novo estacionamento, instalações de serviços de oncologia e hemodiálise, além de espaços de apoio aos acompanhantes de pacientes internados por longos períodos.
A assinatura da escritura pública de concessão de direito real de uso do imóvel ocorreu no auditório do HNSD e reuniu autoridades municipais, representantes da irmandade e membros da sociedade civil. Segundo a administração municipal, a iniciativa está inserida em um projeto de transformação de Itabira em um macropolo de saúde pública, com capacidade de atendimento ampliada de 500 mil para até 1 milhão de pessoas, abrangendo cerca de 30 municípios da região.
“O elemento definidor para que uma cidade se torne macropolo é a oferta de serviços de alta complexidade”, explicou o prefeito Marco Antônio Lage (PSB). Ele destacou que, além da oncologia, com previsão de inauguração do serviço de radioterapia no segundo semestre, a cidade deve estruturar especialidades como nefrologia, cardiologia e neurologia, incluindo procedimentos cirúrgicos de maior complexidade.
De acordo com Marco Lage, o novo terreno permitirá a construção das estruturas necessárias para os próximos anos. “Será possível planejar e erguer as unidades que darão suporte ao atendimento regional com mais eficiência”, afirmou.
O diretor do HNSD, Alexandre Coelho, lembrou que o hospital já possui 1.248 colaboradores e é a segunda maior empregadora privada da cidade. Ele ressaltou que a expansão deve manter esse perfil, com a geração de novos postos de trabalho, especialmente com a instalação de uma nova UTI com perfil cardiológico prevista para o segundo semestre, que deve abrir cerca de 60 vagas.
Apesar do terreno já estar sob concessão, a construção das novas unidades assistenciais ainda depende da captação de recursos em diferentes esferas do poder público. “Temos expectativa de iniciar as obras em até três anos, à medida que as parcerias forem sendo firmadas”, explicou o diretor.
O provedor da Irmandade, José Gerson Querobino, frisou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para o acesso universal ao tratamento e destacou que todas as obras em curso no hospital são viabilizadas com recursos públicos. “Hoje, muitos pacientes percorrem longas distâncias até Belo Horizonte para receber tratamento. Quando a estrutura estiver pronta, poderão fazer tudo isso aqui, em Itabira”, disse.
Durante a cerimônia, o bispo diocesano Dom Marco Aurélio Gubiotti ressaltou o simbolismo da concessão, evocando a memória do Monsenhor Felicíssimo, fundador da Irmandade: “Essa história começou com um sonho do Monsenhor Felicíssimo, que via na saúde um ato de amor e serviço a Cristo. Essa doação é mais do que um ato administrativo, é uma decisão de esperança, responsabilidade e compromisso com a vida”, finalizou.

