Aos 50 anos, a cantora Preta Gil desembarcou na segunda-feira (2), nos Estados Unidos para dar seguimento ao tratamento contra um câncer, iniciado no Brasil.
A artista desabafou sobre o diagnóstico e comentou sobre a saúde mental em meio ao doloroso tratamento.
A revista Caras Brasil entrevistou o médico oncologista Jorge Abissamra, para discorrer sobre o assunto.
Segundo o Dr. Jorge Abissamra, oncologista e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho, é essencial os pacientes oncológicos cuidarem da saúde mental no decorrer do tratamento.
“É tão fundamental quanto a parte clínica. Estudos mostram que pacientes com suporte emocional adequado. Seja através de terapia, espiritualidade, ou relações afetivas fortalecidas, lidam melhor com os efeitos colaterais, têm maior adesão ao tratamento e até uma melhor evolução clínica em muitos casos. Cuidar da mente, permitir-se sentir medo, buscar apoio e manter o coração cheio de amor não é apenas importante, é terapêutico. E a Preta, ao verbalizar isso, também ajuda a quebrar o tabu que muitos ainda têm de falar sobre a dimensão emocional do câncer”.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), confirmam o Brasil como o país da América Latina com maior índice de pessoas com ansiedade. São cerca de 19 milhões de brasileiros com essa condição.
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica alertam que cerca de 30% a 50% dos pacientes em tratamento de câncer desenvolvem algum distúrbio psiquiátrico, como um quadro depressivo.
Em 2024, Preta Gil anunciou o retorno do câncer e fez desabafo nas redes sociais. “Eu sinto uma força e um medo avassalador, mas estou forte, quero viver muito, uma vida digna com mais lutas, mais obstáculos e muitas vitórias”.
No mês passado, em entrevista à ‘Revista Ela’,Preta Gil comentou sobre a fé e destacou que foi salva pelo amor de familiares e amigos, que sempre estiveram ao seu lado desde o início de tudo. “Em muitas horas pensei: Não vou aguentar…Achei que não ia suportar tanta dor. Dor física, dor na alma, dor no coração”.
Abissamra explica quando é necessário o tratamento da doença no exterior.
“Em situações específicas. Esgotamento das terapias convencionais: Quando os tratamentos padrão não apresentam mais eficácia”.
“Quando há disponibilidade de tratamentos experimentais promissores. Acesso a medicamentos ou terapias que ainda não estão aprovadas no país de origem, mas que mostram resultados positivos em estudos clínicos”.
“Paciente tenha condições clínicas favoráveis: Pacientes com bom estado geral de saúde, capazes de suportar tratamentos intensivos e complexos”.

