O professor de muay thai Ernesto Chaves, de 33 anos, precisou usar suas habilidades de luta e defesa pessoal enquanto era atacado por dois cães da raça pitbull. A situação aconteceu na manhã de domingo (29), em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, enquanto o jovem caminhava para a academia onde dá aulas e conseguiu se defender imobilizando os animais até a chegada de socorro.
O ataque aconteceu por volta das 9h30, com neblina intensa no momento, Ernesto foi surpreendido pelo que inicialmente pensou se tratar de uma brincadeira dos animais, mas logo percebeu a agressividade dos cães. Um deles chegou a morder sua perna, enquanto o outro tentou atingir sua região do pescoço.
Sem ter para onde fugir, o lutador reagiu com socos e chutes e, mesmo ferido, conseguiu dominar os cães, segurando-os pelas coleiras e utilizando seu próprio peso corporal para mantê-los no chão. Testemunhas auxiliaram o professor com cordas para conter os pitbulls até a chegada da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Ernesto foi levado ao hospital com ferimentos nas pernas e um dedo quebrado. Segundo ele, foram cerca de cinco minutos de luta intensa até conseguir controlar os animais.
O tutor dos cães, que segundo informações presta serviços à prefeitura da cidade, afirmou que os mantinha em um galpão municipal como forma de segurança contra furtos de ferramentas. Ele alegou que alguém teria aberto o portão do local sem sua permissão. O homem foi conduzido à delegacia e poderá responder por omissão de cautela na guarda de animais.
O episódio reacende o debate sobre a guarda e circulação de raças consideradas perigosas, como pitbulls, tema que também tem ganhado destaque em Itabira. Tramita na Câmara Municipal um projeto de lei que propõe, entre outras medidas, a proibição da procriação e da comercialização de cães das raças pitbull e rottweiler. A proposta é de autoria do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) e se apoia na Lei Estadual nº 25.165/2025, que já veta a entrada e reprodução de pitbulls em todo o estado de Minas Gerais.
A proposta, porém, tem gerado polêmica. Criadores e parlamentares questionam a constitucionalidade do artigo 20 do projeto, que trata da proibição dessas raças, argumentando que legislar sobre criação e comercialização de animais é competência da União e do Estado. Apesar das divergências, há consenso sobre a necessidade de regras mais rígidas para a tutela responsável, incluindo o uso obrigatório de focinheira, coleira e microchip, além da assinatura de termos de responsabilidade por parte dos tutores.

