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Santa Casa de BH alerta para possível suspensão de cirurgias por falta de sangue

Prefeitura de BH regulariza repasses financeiros e atualiza quadro dos hospitais filantrópicos da rede do SUS

Foto: Reprodução/Santa Casa de BH

A Santa Casa de Belo Horizonte acendeu um sinal de alerta para a possibilidade de cancelamento de cirurgias e transplantes caso os estoques de sangue não sejam recompostos nas próximas semanas. O hospital, responsável pelo maior volume de procedimentos cirúrgicos em Minas Gerais, enfrenta redução nas reservas justamente no período em que a demanda costuma aumentar.

A queda nas doações no fim de ano é um cenário já conhecido por unidades de saúde em todo o país. Viagens, feriados prolongados e mudanças de rotina reduzem a presença de doadores no Hemominas, órgão responsável pelo abastecimento da Santa Casa. Atualmente, tipos como O positivo, O negativo, A negativo e B negativo estão em nível de atenção. A gravidade do problema pode ser medida pelo impacto em transplantes complexos, como o de fígado, que pode exigir cerca de 60 bolsas de sangue.

Profissionais do hospital relatam que o cenário já interfere no atendimento. A enfermeira Camila de Souza, da agência transfusional, descreve a pressão diária sobre o serviço. Segundo ela, os pacientes graves continuam chegando, muitos deles dependentes de transfusões recorrentes, enquanto o estoque permanece abaixo do necessário. Nesse contexto, cirurgias eletivas são as primeiras a sofrer ajustes. Há casos em que médicos são informados, no momento da internação, de que não há sangue suficiente para realizar o procedimento como previsto.

O risco é que esse quadro se agrave em dezembro e avance para janeiro, período que historicamente apresenta baixa adesão às campanhas de doação. Em nota recente, a Santa Casa reforçou que a queda já se intensificou desde novembro e pode levar ao adiamento de procedimentos caso não haja reposição. A gerente da Agência Transfusional, Melina Naves, afirma que o desafio é permanente e se agrava na virada do ano.

Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente. O índice representa 14 doadores a cada mil habitantes e pouco mais de três milhões de doações anuais no Sistema Único de Saúde. Em Belo Horizonte, o Hemocentro e outras duas unidades de coleta atendem pessoas aptas à doação mediante agendamento.

Embora a campanha destaque os critérios básicos, boa saúde, idade entre 16 e 69 anos, peso superior a 50 quilos e apresentação de documento com foto, o hospital reforça que o mais importante é lembrar que o sangue não pode ser substituído por nenhum outro recurso. A orientação é que quem puder doar reserve um tempo entre os compromissos de fim de ano para ajudar a manter o atendimento hospitalar sem interrupções.

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