Márcio Labruna nasceu em Belo Horizonte, mas construiu a sua vida em Itabira — onde trabalhou e aposentou, na então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), casou com Dalva Tôrres Bahia Labruna e teve seus netos e filhos. Assim, tornou-se íntimo dessa terra do mato dentro.
A sua trajetória é marcada por relevantes serviços prestados à comunidade itabirana. Atuou como professor pela Mobral, na alfabetização de adultos, e na Fundação Itabirana Difusora do Ensino (Fide); foi governador do Rotary e esteve à frente de importantes instituições como Credivale, Coopervale, Associação dos Técnicos Industriais da Vale (Ativa), Associação Comerical, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita) e Federaminas.
Membro da Irmandade Nossa Senhora das Dores (INSD), também foi provedor do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) e teve papel importante na instalação da hemodiálise no município. Agora, em meio à mais grave crise sanitária enfrentada pelo Brasil, a de Covid-19, é reconduzido à provedoria da instituição.
Os desafios são inúmeros: enfrentar a turbulência causada pelo novo coronavírus; otimizar ainda mais a prestação de serviço de saúde; modernizar e ampliar a estrutura hospitalar; e tornar o HNSD uma referência macrorregional. A reportagem da DeFato conversou com Labruna sobre o trabalho que pretende desenvolver no hospital itabirano. Confira!
DeFato: Você assume a provedoria do HNSD em um momento que vivemos uma das piores crises sanitárias da história. Como pretende enfrentar essa situação?
Labruna: No momento atual, nosso país todo está em crise e não seria nosso hospital filantrópico de mais de 160 anos que ficaria de fora. Porém, sempre vencemos e vamos sair dessa. O Sistema Único de Saúde (SUS) vem dando show em termos de assistência a todos, entretanto, esta demanda também cria buracos nas finanças dos hospitais, pois o que paga não cobre as despesas.
O que temos de mais valioso é a nossa equipe de trabalho de muita qualidade e muito comprometimento. Neste momento de pandemia estamos priorizando salvar vidas.
DeFato: A crise sanitária, além dos desafios no tratamento de saúde, também traz um enorme desafio financeiro. Como pretende lidar com essa questão e manter as contas do HNSD equilibradas?
Labruna: Estamos cortando despesas sem perder a qualidade e sem dispensar colaboradores. Estamos buscando alternativas de rendas e contando com apoio do Estado, Município e da iniciativa privada.
Com o apoio da Cemig, por exemplo, estamos instalando energia solar e vamos economizar quase 50 mil reais por mês. Estou contando com o apoio do Saae e queremos diminuir mais gastos em 50%.
DeFato: Nos últimos anos, o HNSD vem promovendo expansões em sua estrutura física e em sua cartela de serviços. Quais são as suas metas e objetivos para dar seguimento a esse desenvolvimento do hospital?
Labruna: Vamos buscar dinheiro em Brasília através de emendas e novos projetos rentáveis.
Precisamos resolver a situação da Maternidade que acumula um prejuízo de mais de 100 mil reais ao mês. Enfim, “fazer muito com pouco” sempre foi a nossa história.
DeFato: A Hemodiálise é um setor importante para a saúde da região. Porém, opera no seu limite. Existe planos para ampliação do setor?
Labruna: Um capítulo prioritário para salvar e prolongar vidas. Estamos ultimando a reforma da área atual onde tem 31 máquinas e dentro de 60 dias vamos ter 42 máquinas operando.
Com certeza está no nosso programa um projeto novo para um novo prédio para 80 a 100 máquinas.
DeFato: Essa é a segunda vez que você assume a provedoria do HNSD. Quais as diferenças entre o momento e os desafios que encontrou naquela época e o momento e os desafios que encontrou agora?
Labruna: O hospital em que fui provedor há 30 anos atrás era ainda pequeno, contava com 250 colaboradores. Hoje tem 1200, além de 200 médicos. Uma empresa grandiosa que fornece quase mil refeições por dia, lava mais de uma tonelada de roupas e administra um Pronto Socorro, Samu, médicos do Corpo Clínico, farmácia, Laboratório de Análises e Imagens, etc.
DeFato: Qual a sua expectativa para esse novo ciclo de trabalho?
Tonar um complexo hospitalar de alta complexidade e regional, pois atende mais de 25 cidades em seu entorno.
DeFato: Gostaria de acrescentar algo mais?
Labruna: Estamos elaborando um planejamento global para transformar o HNSD uma referência da saúde e que atenda o futuro da cidade por mais 50 anos. Vamos salvar vidas, pois eu acredito e vamos trabalhar para tal.

