Com o arrefecimento da pandemia da Covid-19, uma nova doença tem preocupado bastante a Organização Mundial da Saúde (OMS): a varíola dos macacos. No último sábado, a organização inclusive reconheceu o avanço do vírus como uma emergência global de saúde. Em meio à busca por respostas, um estudo da revista científica New England Journal of Medicine aponta que 95% dos casos surgiram após a transmissão da doença durante a relação sexual.
Até aqui, o que se sabia é que a varíola dos macacos era transmitida por meio do contato prolongado de pele com pele. A pesquisa da New England Journal of Medicine encontrou, no entanto, o DNA do monkeypox – vírus causador da varíola dos macacos – no sêmen de 29 dos 32 homens cuja amostra foi analisada.
“O teste para identificar a doença é feito pelo PCR e pode ser realizado em diversas amostras, como pele, saliva e o sêmen. Ele te diz se naquela amostra há sequências de material genético de determinado agente infeccioso, como fazemos para identificar a Covid-19 hoje. Só que você pode ter um fragmento de DNA ali que não signifique que o vírus está ativo sendo transmitido. Pode ser apenas um pedaço, ou estar inativado”, ressalta Salmo Raskin, médico geneticista e diretor do laboratório Genetika, em Curitiba.
Apesar dos resultados da pesquisa, o relato de Salmo Raskin traz uma importante ponderação. Não há como categorizar a varíola dos macacos como infecção sexualmente transmissível (IST), pois a presença do vírus não é capaz de provocar uma infecção no local. Há a possibilidade, por exemplo, da contaminação por meio do sexo acontecer devido ao contato íntimo da pele com pele, algo já comprovado.
“É preciso fazer uma técnica chamada de cultura viral, em que se analisa essas amostras para descobrir se o vírus presente ali está se replicando ou não, o que indicaria se ali ele consegue transmitir ou não. Eu acredito que os estudos indicam que ele pode estar se dividindo sim, mas ainda é preciso de confirmação. Isso de fato levaria o vírus a ser transmitido pelo sexo, porém essa não seria a única forma de contaminação. Nós sabemos que o contato físico com as lesões pode levar à infecção, seja em qual lugar do corpo for”, completa o geneticista.
A pesquisa citada na reportagem levou em conta 528 diagnósticos, em 16 países, detectados entre abril e junho deste ano. Outra conclusão do estudo foi que as erupções cutâneas, sintoma mais comum da varíola dos macacos, atingiram 95% dos pacientes. Destes, 64% apresentaram menos de dez lesões, além de 73% dos relatos apontarem o ferimento nas regiões do ânus e da genitália.

