Marco Antônio Lage (PSB), presidente da Associação Brasileira de Municípios Mineradores (AMIG Brasil) e prefeito de Itabira, publicou um vídeo em suas redes sociais comentando sobre a operação “Rejeito”, deflagrada ontem (17) pela Polícia Federal (PF) e que investiga um esquema bilionário de corrupção e exploração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais.
Classificando como “mais um dia triste” na mineração do Brasil, Marco Lage disse que a prisão de empresários, políticos, dirigentes de ONG’s e do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM) é resultado de uma entidade que “não fiscaliza, que não regulamenta e que deixa o setor mineral solto”.
“A inércia na organização e na estruturação da ANM produz isso que a gente está vendo: corrupção e crime no Brasil”, disse Marco Antônio, defendendo a reestruturação imediata da ANM. Em seguida, o presidente também afirmou que é impossível o Brasil evoluir no setor mineral sem mudar a legislação vigente.
“A AMIG vai continuar insistindo! Estruturação da ANM já! É preciso fiscalizar, é preciso regulamentar, é preciso mudar o Código Minerário Brasileiro para a gente evitar isso aqui que a gente está vendo tristemente no dia de hoje: crime e corrupção na mineração, em Minas e no nosso país!”, finalizou.
Operação Rejeito
A ação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Receita Federal, cumpriu 79 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de prisão preventiva, além de determinar o bloqueio e sequestro de bens avaliados em R$ 1,5 bilhão.
Segundo a Polícia Federal, os alvos incluíam servidores públicos afastados de suas funções e empresas com atividades suspensas. O grupo investigado teria atuado para comprar licenças ambientais fraudulentas e obter autorizações irregulares para exploração mineral, alcançando até áreas de preservação e locais tombados. De acordo com as investigações, a atuação ilegal trouxe graves riscos ambientais e sociais, além de dificultar a fiscalização do Estado.
A corporação aponta que a organização criminosa monitorava autoridades e interferia em investigações, usando empresas de fachada e outras manobras para lavagem de dinheiro. O lucro obtido com as práticas ilícitas seria de pelo menos R$1,5 bilhão, com projetos em andamento avaliados em potencial econômico superior a R$18 bilhões.
Os investigados da operação “Rejeito” poderão responder por crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, usurpação de bens da União e embaraço à investigação.

