Deputados da oposição propõem CPI do Meio Ambiente após operação da PF em Minas

Parlamentares articulam investigação na ALMG para apurar denúncias de corrupção e danos ambientais envolvendo órgãos do governo Zema

Deputados da oposição propõem CPI do Meio Ambiente após operação da PF em Minas
Foto: Clarissa Barçante/ALMG

A operação “Rejeito”, deflagrada na quarta-feira (17) pela Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, já começa a repercutir dentro da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Deputados da oposição ao governo Romeu Zema (Novo) anunciaram a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Meio Ambiente, com o objetivo de investigar possíveis irregularidades e omissões em órgãos estaduais de fiscalização ambiental.

As deputadas Duda Salabert (PDT), Lohanna França (PV) e Bella Gonçalves (PSOL) se reuniram na tarde de quarta-feira com Wallace Alves, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente (Sindsema-MG), para discutir a coleta de documentos e provas que reforcem a abertura imediata da CPI.

Segundo os parlamentares, a investigação federal evidencia suspeitas que já vinham sendo levantadas há meses dentro da Casa. “A oposição vinha alertando para a fragilidade da estrutura do meio ambiente em Minas e os indícios de corrupção. A operação só reforça a necessidade de uma apuração profunda”, afirmou Bella Gonçalves.

Contexto da operação

A operação “Rejeito” investiga um suposto esquema de corrupção, mineração ilegal e fraudes em licenciamento ambiental. Entre os presos está o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Trivellato Seabra Filho. A PF também cumpriu mandados em endereços ligados a empresas do setor e a servidores públicos suspeitos de participação no esquema.

A ofensiva policial ocorre em um momento de forte pressão sobre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e sobre a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), que enfrentam denúncias de sucateamento, falta de pessoal e ingerência política.

Próximos passos

Para que a CPI do Meio Ambiente seja instalada na ALMG, são necessárias 26 assinaturas de deputados. A oposição já iniciou a coleta e aposta no impacto da operação para conquistar apoio de parlamentares independentes e até mesmo de aliados da base governista.

De acordo com Wallace Alves, do Sindsema, a mobilização busca assegurar que os crimes ambientais e de corrupção não fiquem impunes. “Os servidores do meio ambiente sempre alertaram sobre pressões políticas e a falta de condições para fiscalizar. Agora temos provas concretas que precisam ser analisadas pelo Legislativo mineiro”, afirmou.

Repercussão

O governo de Minas ainda não se manifestou oficialmente sobre a proposta de CPI. Assessores próximos ao Palácio Tiradentes avaliam que a iniciativa da oposição tende a intensificar a pressão política sobre a gestão Zema, especialmente em um tema sensível como a política ambiental, marcado por episódios recentes de desastres envolvendo mineração no estado.

A expectativa é de que o pedido de abertura da CPI seja protocolado já nos próximos dias, podendo se tornar um dos principais embates da atual legislatura na ALMG.