Vídeos impressionantes circulam nas redes sociais, mostrando uma palmeira erguida sobre raízes alongadas, como se estivesse caminhando pela floresta amazônica. Mas a realidade é diferente: a Socratea exorrhiza, popularmente chamada de paxiúba, não se desloca de verdade.
Especialistas explicam que o “movimento” é uma ilusão óptica, resultado de adaptações naturais para sobreviver em terrenos pantanosos.

O biólogo Marcus Nadruz, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, destaca que as raízes externas, que alcançam até dois metros, elevam o tronco do solo, evitando inundações e decomposição.
Estratégia de Sobrevivência em Ambientes Instáveis
Essas raízes, em formato de estacas, crescem em um lado da planta enquanto as antigas secam e desaparecem do outro. Isso cria a falsa impressão de que o tronco se arrasta lentamente, buscando luz solar ou solo mais firme.
Estudos científicos, iniciados nos anos 1980, confirmam que não há deslocamento real; é apenas uma troca de apoios para manter a estabilidade.
Essa característica, derivada do grego “exo” (fora) e “rhiza” (raiz), ajuda a palmeira a prosperar em áreas alagadas da Amazônia, resistindo a cheias e ventos fortes.
Papel Vital no Ecossistema Florestal
A Socratea exorrhiza vai além do visual curioso: ela é essencial para a biodiversidade. Seus frutos amarelo-avermelhados atraem aves como tucanos e mamíferos como cutias, que espalham sementes e promovem a regeneração da floresta.
As folhas em forma de pluma criam microclimas de sombra e umidade, abrigando ninhos de insetos e aves menores. As raízes formam estruturas labirínticas, servindo de refúgio para anfíbios, lagartos e invertebrados, fortalecendo a cadeia alimentar.
Descobertas Medicinais Promissoras
Pesquisas recentes da Universidade Federal de Roraima apontam potenciais terapêuticos nas raízes. Elas contêm flavonoides e compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e antimicrobianas, capazes de inibir bactérias como Escherichia coli e fungos como Candida albicans.
Esses extratos podem neutralizar radicais livres e combater infecções, abrindo portas para medicamentos naturais. A planta, com espinhos protetores, também resiste a predadores, reforçando seu valor na medicina tradicional amazônica.





