Pesquisadores norte-americanos identificaram na Antártida bolhas de ar de seis milhões de anos. A descoberta surgiu em núcleos de gelo coletados na região de Allan Hills. O estudo amplia de forma notável o alcance temporal dessas análises.
A equipe responsável reúne especialistas do WHOI e da Universidade de Princeton. Eles explicam que o gelo guarda sinais diretos da atmosfera do passado. Cada bolha preserva informações que ajudam a reconstruir períodos pouco conhecidos.

Segundo os autores, o achado permite examinar mudanças profundas no clima terrestre. As amostras sugerem que as temperaturas eram mais altas e o nível do mar mais elevado. Esses dados ajudam a preencher lacunas sobre eras remotas.
Medições isotópicas de argônio auxiliaram na determinação da idade do material. Já os isótopos de oxigênio permitiram estimar a temperatura da época. Os cientistas destacam que esse método traz alta precisão às análises.
Um avanço que supera antigas projeções
Os pesquisadores afirmam que já imaginavam encontrar gelo antigo na região. No entanto, esperavam algo próximo de três milhões de anos, não o dobro disso. A descoberta ultrapassou previsões e surpreendeu até os cientistas mais experientes.
A iniciativa faz parte do projeto Coldex, que reúne várias instituições americanas. O objetivo é rastrear o gelo mais antigo preservado no continente antártico. O programa também conta com apoio da Fundação Nacional de Ciências dos EUA.
As perfurações alcançam profundidades entre cem e duzentos metros. Cada etapa da escavação exige meses de trabalho em condições extremas. Os núcleos ajudam a mapear gases de efeito estufa e o resfriamento histórico da região.
O Coldex integra uma corrida global que busca estender registros climáticos. Equipes de diversos países disputam a obtenção dos núcleos mais antigos. Um grupo europeu já relatou um núcleo contínuo de um milhão e duzentos mil anos.






