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Reparação histórica: seleção de trainee do Magazine Luiza é legítima

Programa de Trainee

Foto Divulgação Magazine Luiza

Na última sexta-feira, 18 de setembro, o Magazine Luiza divulgou uma iniciativa que repercutiu muito mais do que o esperado. Ao lançar um programa de trainee exclusivo para pessoas negras, a empresa despertou uma enxurrada críticas. Infelizmente, as críticas viraram acusações de “racismo reverso” e ameaças de representação contra a empresa no Ministério Público do Trabalho (MPT). As ameaças pela suposta discriminação viraram realidade. Ao todo, 11 denúncias acusaram a varejista de promover “prática de racismo”.

Porém, na manhã dessa sexta-feira, 25 de setembro, o MPT tomou uma decisão que surpreendeu muita gente. Além de não acatar as denúncias, ele ainda afirmou que não houve violação trabalhista e destacou que essa é uma ação afirmativa de reparação histórica.

Em nota, o MPT esclareceu que o processo de seleção não é ilícito. Confirma ainda que é um “elemento de reparação histórica da exclusão da população negra do mercado de trabalho digno”.

Para o Ministério Público, não realizar ações como essa acarreta graves problemas como falta de oportunidades de acesso ao emprego, desigualdade de remuneração e na dificuldade de ascensão profissional.

Combate ao racismo estrutural

Em seu indeferimento, o MPT fez questão de deixar claro que ações como a do Magazine Luiza estão amparadas na Constituição Federal, no Estatuto da Igualdade Racial (lei 12.288/2010) e na Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial.

Além disso, o próprio MPT, por meio do Projeto Nacional de Inclusão Social de Jovens Negras e Negros no Mercado de Trabalho, consolidado em 2018 na Nota Técnica do Grupo de Trabalho de Raça, reforça a luta contra o racismo estrutural.

Com a decisão do Ministério Público, o Magazine Luiza segue com as inscrições para seu programa de trainee 2021. O objetivo é: levar mais diversidade racial para os cargos de liderança da companhia.

Podem participar candidatos formados de dezembro de 2017 a dezembro de 2020, em qualquer curso superior. Não há quaisquer pré-requisitos para a seleção. O salário é de R$ 6,6 mil, com benefícios e bônus de contratação de um salário.

Em nota, Patrícia Pugas, diretora executiva de gestão de pessoas, disse em comunicado oficial que “o Magazine Luiza acredita que uma empresa diversa é uma empresa melhor e mais competitiva. Queremos desenvolver talentos negros, atuar contra o racismo estrutural e ajudar a combater desigualdade brasileira”.

Atualmente, o Magazine Luiza tem em seu quadro de funcionários 53% de pretos e pardos. Mas apenas 16% deles ocupam cargos de liderança.

Em tempo

Luiza Helena Trajano, dona da rede varejista, acabou de entrar para o ranking de bilionários brasileiros da revista Forbes Brasil. Ela ocupa a 8ª posição do top 10 da lista de 2020.

Ela é a única mulher a figurar na lista.

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