A vida começa aos 80! Mulher foi à escola pela primeira vez aos 85 anos e hoje cursa faculdade

“Nunca tinha entrado em uma sala de aula, não sabia o que era uma lousa, não sabia nada. Eu só tinha visto os meus filhos estudando no caderno”

A vida começa aos 80! Mulher foi à escola pela primeira vez aos 85 anos e hoje cursa faculdade
Foto: Reprodução

Mineira, natural de Piranguçu, Iolanda Conti (91), se mudou para São Paulo aos 11 anos de idade, onde se casou e teve três filhos.

Para auxiliar nas despesas de casa foi babá, faxineira, cozinheira e ajudante de padaria.

Iolanda Conti pisou em uma sala de aula aos 85 anos, e sempre manteve o sonho de aprender a ler e escrever, sem, no entanto, ter oportunidade, por causa dos trabalhos para ajudar na economia de casa.

“Nunca tinha entrado em uma sala de aula, não sabia o que era uma lousa, não sabia nada. Eu só tinha visto os meus filhos estudando no caderno”.

A realização do sonho de estudar veio da parte de uma das filhas, a fisioterapeuta Vera lúcia Ribeiro Conti, de 51 anos que, em 2018, inscreveu a mãe em um programa da EJA (Educação de Jovens e Adultos), do governo Federal, destinado a pessoas que nunca tiveram acesso à educação na idade apropriada.

“Um dia, nós estávamos passando por uma escola fundamental do bairro e vi a placa que dizia: temos vagas para todas as idades, adultos, jovens e idosos. Entramos e inscrevi a minha mãe na mesma hora”, diz Vera.

Ao final de 2024, Iolanda recebeu o diploma do ensino médio e, junto com a formatura, recebeu um convite para cursar nutrição em uma faculdade de Guarulhos, onde atualmente mora com a filha.

“Ela ganhou uma bolsa que cobria em 100% os quatro anos do curso. fomos à faculdade conversar numa terça-feira, depois do carnaval, e na quinta ela estava na sala de aula”, explica Vera.

Iolanda revela que, na verdade, queria ser enfermeira.

“Desde criança , eu tinha o sonho de ser enfermeira para cuidar das pessoas, mas como eu não tive estudo antes, sei que agora não é mais possível. Mesmo assim, eu gosto muito de comida, de cozinhar, de utilizar bem todos os alimentos. Uso muito a casca das frutas e legumes nas minhas receitas. então, fazer nutrição também me deixa muito feliz. Eu gosto de comer bem. Não é comer muito, mas comer bem. Arroz, feijão, uma carne, bastante legumes, abobrinha, chuchu, ovo. Um prato bem colorido. Não cheguei a essa idade á toa, né?”.

A faculdade se adaptou para permitir que a idosa pudesse acompanhar todas as aulas, que são presenciais e AD. Os professores utilizam uma caixa amplificadora e microfone durante as aulas, de forma que ela possa ouvir bem o que está sendo falado. Nos dias de prova, ela terá a companhia de uma tutora para acompanhá-la em caso de dificuldade.

Iolanda tem tido a companhia da filha nos primeiros dias de aula na faculdade. “Ela é muito participativa durante as aulas. Ela é a aluna mais velha da sala e todo mundo gosta muito dela. Sempre param para ouvir quando ela está falando”, diz Vera.

Iolanda não se intimada com a idade: “Eu não falo que sou uma aluna velha, porque velho é trapo, é pano velho. Minha mãe sempre dizia isso. Então eu falo que sou experiente. Eu sou uma caloura veterana. E estou bem conservada”.

Iolanda faz planos para o futuro e afirma que quer terminar o curso e seguir adquirindo conhecimento. “Não quero perder nenhuma aula. Se não tiver como ir de carro ou ônibus, vou a pé se precisar. Eu tenho muita vontade de viver. E acredito sim que vou pegar o meu diploma com 95 anos. tudo o que Deus tiver preparado para mim daqui para a frente, tenho certeza que será maravilhoso”.

Vera criou uma conta para a mãe no Instagram, onde ela pretende compartilhar sua rotina e curiosidades de uma universitária de mais de 90 anos.

“Quando eu matriculei a minha mãe na escola, foi porque eu queria animá-la, ela andava muito triste. Mas foi a força de vontade dela que a trouxe aqui. Ela é um exemplo de que nada é impossível, que a idade não é um limitador, e queremos mostrar isso para as pessoas. No que depender de mim, tudo o que eu puder fazer para ajudá-la, eu vou fazer”.

* Fonte: UOL