Brasileirão 2019: empates crônicos

Atlético tem mais uma atuação sofrível fora de casa e acha empate. Cruzeiro abusa da previsibilidade e não consegue superar o pior time do campeonato.

Brasileirão 2019: empates crônicos
Cruzeiro ficou, outra vez, no 0 a 0, dessa vez contra o lanterna Avaí – Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

CRUZEIRO 0X0 AVAÍ

Na noite desta segunda-feira (18), a Raposa fechou o primeiro tempo somando 37 cruzamentos (32 errados) na área, para um centroavante de 1,74m, contra dois zagueiros, de 1,97m e 1,87m. Erro de estratégia? Antes fosse. A falta de repertório do ataque do Cruzeiro foi, mais uma vez, estatisticamente comprovada. Tudo isso contra o pior time do Brasileirão. E não é opinião. Tratava-se do lanterna (há muito tempo apagada) Avaí, agora rebaixado.

Mais do que preocupante, é irritante o fato do Cruzeiro não conseguir mudar o panorama a cada partida que joga no Mineirão, seja contra grandes, médios ou, no caso, até rebaixados matematicamente. Mesmice que começa na escalação: Thiago Neves tem lugar inexplicavelmente cativo. A insistência em Marquinhos Gabriel é piada de mau gosto.

A previsibilidade celeste se estende às substituições, todas elas presumíveis demais para mudar o jogo. Os treinos da Toca da Raposa têm sido fechados para a imprensa. Fica a dúvida se são também fechados para os jogadores.

Em entrevista coletiva ao fim da partida, Abel Braga creditou parte do empate ao desempenho do Avaí. “Se jogassem assim todas as rodadas, não seriam rebaixados”. É tentar explicar o inexplicável. Dar méritos à pior equipe do campeonato é tentar esconder o que todo mundo viu: o Cruzeiro empatou por incapacidade própria.

FLUMINENSE 1X1 ATLÉTICO

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O argentino Di Santo marcou o gol de empate do Atlético no Maracanã – Foto: Divulgação/Atlético

Dois dias antes, no sábado (16), outro time mineiro também já havia experimentado um empate no Brasileirão.

Jair, em boas condições físicas, é titular absoluto do Atlético. Marquinhos era a opção mais óbvia e coerente para substituir Otero – convocado para defender a seleção venezuelana em mais uma Data Fifa. Bruninho, por ter marcado diante do Goiás e ter entrado bem no clássico diante do Cruzeiro, fez por merecer a titularidade, no lugar de Cazares.

Vagner Mancini, portanto, acertou na escalação. Escalou o que tinha de melhor. Na teoria, com a mexida no time titular, mais qualidade na saída de bola e mais velocidade no contra-ataque, com atacantes leves. Na prática, um ataque que não funcionou acompanhado de um sistema defensivo que, até o Fluminense (prematuramente) parar de atacar, não se encontrou.

O placar de 1 a 0 para os donos da casa no primeiro tempo ficou barato para o Galo. O Fluminense jogou bem e viu o Atlético errar sistematicamente, criando chances para o próprio Tricolor com os erros na sua saída de bola. A melhor parte da segunda etapa só não foi o apito final porque, minutos antes, Franco Di Santo fez o que dele se espera. E espera-se até injustamente, já que pra fazer gol é preciso, antes, que a bola chegue.

O segundo tempo, aliás, representou fielmente o roteiro de boa parte das partidas do Brasileirão: quem sai na frente senta em cima da vantagem sem o menor constrangimento. Atacar? Só se der, mesmo. Matar o jogo já é pedir demais. Ao adversário parcialmente derrotado, pressionar pode ser um caminho. Organizar-se para isso também é pedir demais. Se der, é no individual, num lance isolado, inesperado. E o desfecho foi fiel ao roteiro.

Por Leandro Colombo, graduando em Jornalismo, comentarista esportivo da Rádio Itabira AM 770
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