Ceasa desmente fake news e garante abastecimento para municípios mineiros

Empresa afirma que têm sido mantidas todas as atividades necessárias à comercialização das mercadorias nas suas seis unidades do estado

Ceasa desmente fake news e garante abastecimento para municípios mineiros
Foto: Divulgação/CeasaMinas

Por Paulo Henrique Dias

“A pedra inicia às 3h da manhã e o movimento vai até as 11h30. O movimento cai muito mesmo por volta de 13h, que é quando já não tem quase nada na pedra, como mostra o vídeo”.

O relato acima é do trabalhador autônomo, Helberton Barreto, 21 anos, que há cinco trabalha na Central de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas), em Contagem. Ele se refere a um vídeo divulgado ontem (31), nas redes sociais, onde as instalações da Ceasa aparecem vazias. Na filmagem, um homem alega ser produtor rural e que aquela é uma situação real, provocada como consequência do coronavírus (Covid-19). Mas, na verdade, era fake news.

O vídeo tomou grandes proporções, chegando até o Palácio da Alvorada. Na manhã desta quarta-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro compartilhou o vídeo numa rede social para legitimar seu discurso de que é preciso voltar ao trabalho, mesmo em meio à pandemia. Após constatada a fake news, o presidente removeu o vídeo de sua página.

A  CeasaMinas se manifestou contra o episódio e enfatizou que não há qualquer desabastecimento em seus entrepostos, em razão da Covid-19. Ainda segundo a central de abastecimento, todas as atividades necessárias à comercialização das mercadorias nas suas seis unidades do estado têm sido mantidas nas suas seis unidades: Contagem, Uberlândia, Juiz de Fora, Governador Valadares, Caratinga e Barbacena.

Balanço diário

Diariamente, a CeasaMinas realiza um balanço das quantidades ofertadas, preços e procedências dos produtos. Estes dados, entre outros, servem como auxílio para orientar o público acerca da situação do mercado. Em especial, os produtores rurais, atacadistas, varejistas e outros agentes do abastecimento.

Na manhã desta quarta-feira (1º), o presidente da Associação Comercial da CeasaMinas, Noé Xavier da Silva, gravou outro vídeo para afirmar que a central mineira não tem nenhum tipo de problema relacionado a desabastecimento.

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“Ontem, 31 de março, enquanto a Ceasa realizava a limpeza do mercado livre do produtor, circulou pela internet um vídeo indicando desabastecimento em nosso entreposto. Esse fato não é verdade. O mercado segue firme e abastecido para garantir a alimentação para mais de 400 municípios de Minas Gerais”, declarou.

Impacto

Para Helberton Barreto, a fake news divulgada pelo presidente não prejudicam o movimento. Contudo, ele não nega que o coronavírus tem impactado na central de abastecimento.

O movimento caiu bastante, as vendas caíram bastante mesmo. Esse coronavírus arrebentou muito a Ceasa. A pedra, as lojas e a Ceasa estão pouco movimento. Está complicado. A gente está remando contra a maré”, avaliou o autônomo.

Segundo ele, durante a semana, a CeasaMinas tem maior movimentação às segundas, quartas e sextas-feira. Os trabalhos começam quando ainda é madrugada e estende-se até o início da tarde. 

Controle de acesso

Para combater a proliferação da Covid-19, a central de abastecimento adotou medidas para garantir a preservação do público, assim como de seus colaboradores. Com o crescente número de infectados, a Ceasa de Contagem, como em outras localidades de Minas, restringiu desde o dia 23 de março, o acesso do público. Menores de 14 anos e maiores de 60 não podem acessar o local.

Para os colaboradores que trabalham na central, a entrada só é permitida com documento credencial ou carteira de trabalho registrada por empregador/empresa concessionária legalmente estabelecida e em operação na unidade de Contagem.

Além disso, há uma recomendação de revezamento das equipes de trabalho, de forma a reduzir o número de pessoas no entreposto, privilegiando escalas reduzidas e o trabalho remoto.

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