Em noite de coincidências, Cruzeiro e Atlético largam no Brasileirão com sensações distintas
Estamos falando da primeira rodada. Há muita água para rolar, e as incertezas não se limitam aos rivais mineiros. São regra

Não bastasse jogarem no mesmo dia e horário, Cruzeiro e Atlético dividiram, também, o mesmo placar. Porém, se agarrar a ele seria um erro para ambos. Embora tenha vencido o Mirassol por 2 a 1, o Cruzeiro deixou alguns alertas para a sequência da temporada. Nada desesperador, já que estamos falando de um trabalho ainda muito recente. Mas pontos de fragilidade nunca devem ser ignorados.
A questão principal é o sistema defensivo. A marcação ruim e desconexa gerou uma intensa pressão do Mirassol até o último segundo de jogo. Ainda em clara fase de ajustes, o Cruzeiro ofereceu generosos espaços no meio campo, flertando o tempo todo com o perigo. Do lado direito, William sofreu com a falta de suporte na marcação, perdendo no mano a mano para o rápido Clayson em diversas oportunidades.
A recomposição lenta também foi outro problema do time comandado por Leonardo Jardim. Por vezes, o Cruzeiro marcava com apenas seis jogadores, tanto pelo espaçamento entre os setores quanto pela falta de velocidade no retorno dos homens da frente para a marcação.
Pela fragilidade do adversário, a Raposa se safou e somou três pontos fundamentais. Mas repetir os mesmos erros contra times do nível de Flamengo, Internacional ou Botafogo é um passo gigante para a derrota.
Já o Galo…
O Atlético, por outro lado, foi derrotado por 2 a 1, mas sem um sentimento de terra arrasada. Os primeiros 15 minutos contra o Grêmio, fora de casa, estão entre os melhores da temporada.
Sem ser ameaçado e mostrando um futebol envolvente, o Galo colecionou chances. Porém, méritos do Tiago Volpi à parte, não podemos considerar normal o nível das oportunidades desperdiçadas.
Como já estamos em abril e o estadual ficou para trás, o castigo veio de forma cruel. Bastou ao Grêmio equilibrar o jogo para aproveitar falhas da defesa atleticana e abrir 2 a 0 rapidamente.
A partir daí, o Atlético não passou a criar tanto e ofereceu diversos espaços no meio campo, mal aproveitados pelos mandantes. No segundo tempo, colocando a bola no chão novamente, voltou a levar perigo e diminuiu o placar, com Rony. A pressão aumentou ainda mais e o empate poderia, sim, ter acontecido.
Seria o placar mais justo? Talvez. Mas como falar em injustiça quando um time aproveitou bem suas oportunidades e o outro não fez o mesmo? Aliás, é importante saber que nem sempre — ou quase nunca — o Atlético encontrará um adversário tão permissivo, então é preciso calibrar o pé. Apesar disso, fica de alento o jogo equilibrado, diante de um difícil rival, fora de casa.
Feitas as ressalvas, estamos falando da primeira rodada. Há muita água para rolar, e as incertezas não se limitam aos rivais mineiros. São regra.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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