Jornalista da DeFato lança campanha de livro em homenagem ao seu pai
João V. Bessa lança campanha de financiamento coletivo para produzir o livro “Três gols e mil delírios”, escrito em homenagem a seu pai.

O jornalista João V. Bessa, lança campanha de financiamento coletivo de seu primeiro livro de poemas, “Três gols e mil delírios”. A produção é em parceria com a editora fluminense Campo ou Bola, que se dedica a projetos que unem o esporte e a literatura. A campanha está no ar pela plataforma Benfeitoria e se encerra na próxima sexta-feira (4).
O autor é jornalista natural de Cordeiro, no interior do Rio de Janeiro e colabora com o DeFato Online desde o ano passado. Esse será o seu livro de estreia no mercado editorial. Trata-se de uma homenagem à memória de seu pai, Wilson, que faleceu há quatro anos, com poemas que tratam de luto, memória afetiva e coletiva e das experiências como um torcedor, no estádio e nas ruas.
A campanha de financiamento coletivo que se encerra na próxima sexta-feira busca reunir recursos para custear a impressão dos livros e pagar os profissionais envolvidos em sua produção. Com dois meses de duração, pode ser acessada pelo site da editora Campo ou Bola, que tem sede em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Outra forma de contribuir é pela plataforma Benfeitoria.
O projeto
Escrito entre dezembro de 2022 e setembro de 2023, o livro é uma homenagem do autor ao seu pai feita em forma de poemas. Os textos se desenvolvem em órbita do futebol, de acontecimentos do meio esportivo e narrativas de vivências de um torcedor. No entanto, o objetivo de João não é descrever lances o gols, enumerar feitos esportivos o estatísticas de desempenho. Muito pelo contrário, o futebol é, aqui, um campo de Batalha de dramas internos.
Seja tratando da Copa do Mundo, da copa Libertadores ou de outros eventos, a questão é o luto, a identidade e o conjunto de emoções proporcionadas pelos acontecimentos esportivos. João conta que seu pai, Wilson, era apegado esporte. Porém, o motivo que o levou a escrever o livro foi trágico: seu pai faleceu enquanto jogava bola, no bairro onde o jornalista nasceu.
Sendo assim, o conjunto de poemas que forma “Três gols e mil delírios” se forma com o emprego da linguagem simbólica, as metáforas inspiradas no jogo, para tratar sobretudo de dor e renovação. Há neles a ênfase na necessidade de superação aliada ao entendimento do esporte como válvula de alívio emocional.
O futebol como campo de batalha de dramas internos
“O livro surgiu como um exercício de escrita, quando, durante o mestrado em comunicação e cultura, eu me sentia afastado da poesia”, conta o autor. A sua ideia era criar um tipo de diário poético-jornalístico sobre a última Copa do Mundo realizada no Catar. “Porém, logo me dei conta que estava diante de uma outra a possibilidade”, comenta. De resgatar a memória de meu pai a partir do futebol, que era um fator de conexão entre nós dois. Em vez de poemas-notícia, porém, criou poemas-obituário.
João conta, então, que a partir desse motivo da Copa do Mundo passou a desenvolver outros inspirados nas suas vivências como um torcedor do Fluminense e como um espectador do futebol. Inspirado em outras obras literárias musicais que também se desenvolve a partir do mesmo tema, foi que ele decidiu também tratar de ambiguidades e contradições da natureza humana que também se reflete na estrutura do mundo do futebol.
Portanto, luto, fragilidade, esperança e amor são os motivos por trás desses poemas. Junto a isso há delírio, a possibilidade de realizar um “salto da realidade” a partir da catarse que o jogo provoca.
“Cresci ouvindo canções como as do Rappa e Jorge Ben sobre o futebol. Depois de adulto, conheci Eduardo Galeano e Carlos Drummond de Andrade, acredito que essas sejam as principais referências para esse primeiro livro”. Nessas referências o objetivo não é exatamente narrar o que acontece na partida, “Não quero brigar com a imagem”, comenta o jornalista, “quero evocar sentimentos, memórias e as mais diversas emoções que todo torcedor sente: esperança e empolgação, mas também o ressentimento e o rancor”. João Bessa afirma que buscou por aquilo que está no futebol e que o faz sentir mais humano e mais sensível.
Estreia do autor cordeirense
João Bessa nasceu na cidade de Cordeiro, na região Serrana do Rio de Janeiro, em 1997. Seu pai era bombeiro e sua mãe contadora. Cresceu tendo como principal atividade jogar bola com os amigos do bairro Retiro Poético, o conjunto habitacional que se tornou um dos bairros mais populosos do município de 20 mil habitantes. Aos 18 anos deixou cordeiro e se mudou para São João del-Rei em Minas Gerais onde cursou a graduação em jornalismo; seis anos depois mudou-se para o Rio de Janeiro para realizar mestrado em Comunicação e Cultura.
Sua relação com a escrita nasce com a relação com a música, uma das primeiras paixões de sua vida, que conheceu ainda na infância. “Na intenção de criar músicas, canções, me encontrei com a escrita poética, que me acompanha há muitos anos, com diferentes sentidos e significados”, explica João. Esses significados esses sentidos som eminentemente emocionais e dizem respeito a universo da inconsciência, dos desejos e e das paixões.
“É um livro sobre desejos, paixões e catarse, por isso falo delírios”, comenta o autor. Por mais que tenho o foco no futebol, João acredita que a leitura possa ser interessante para quem não acompanha ou não gosto do esporte: “Porque, no fim das contas, estou tratando de questões humanas bom que são comuns a outras pessoas. O futebol é só um ponto de partida”.