Líder do MST se rebela contra o governo Lula

João Paulo Rodrigues afirmou que o movimento “não é correia de transmissão da atual gestão”

Líder do MST se rebela contra o governo Lula
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros segmentos sociais fazem ato público em apoio ao registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Coordenador Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse na quinta-feira (27), ao jornal Folha de São Paulo, que o “grupo sempre defenderá o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que movimento não é correia de transmissão da atual gestão, e que não aceita nenhum tipo de coleira ou focinheira sobre a organização”.

“Nós ajudamos a construir o governo, mas o MST tem autonomia em relação ao PT e ao governo”. Na opinião de João Paulo, a administração petista errou politicamente em não atender as pautas defendidas pelo movimento. 

“Não cabe a nós dizer o que o governo tem que fazer. Nós reivindicamos. Na minha avaliação, o governo não gostou das ações do MST e deve ter pedido nas contas internas: vamos colocar o MST no cantinho do pensamento, depois nós atendemos eles”.

Rodrigues não esconde a insatisfação do grupo com a administração Lula; que, segundo ele, “realizou menos invasões de terra neste ano para não ter embates com fazendeiros e nem querer provocar a direita. Por fim, eram as negociações com o governo. Avançamos, criamos canais de negociação, mas até agora não houve anúncio do governo, o que frustrou a nossa base”.

Hoje, o MST ocupa propriedades como parte da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, mais conhecida como “Abril Vermelho’, que se inicia todos os anos no dia 17 de abril, data que marca o massacre ocorrido no estado do Pará, em 1996, e ficou conhecido como o “Massacre de Eldorado dos Carajás”, ocasião em que 21 trabalhadores do MST foram mortos pela polícia naquele município.

No domingo (23), o grupo ocupou outras terras em três regiões da Bahia, 1 dia depois de o MST entrar em entendimento com autoridades do governo e deixar a sede da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária), localizada em Pernambuco.

As ações do movimento têm provocado a indignação de proprietários de terras, que se uniram para tentar barrar essas invasões pelo interior da Bahia. Também o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, deixou claro que essas invasões são tão graves quanto a invasão do Congresso, em alusão ao dia 8 de janeiro.

Rodrigues reclama que a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o MST é uma perseguição política. “Nossas ações estão dentro do marco da democracia, Vamos judicializar junto ao STF porque ela é inconstitucional”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), na quarta-feira (26), leu o requerimento de abertura da comissão, quando, a partir daí, o colegiado é considerado constituído.

Rodrigues finaliza: “Não devemos ficar com medo da direita. Já passamos por quatro CPI,s, e o MST saiu mais forte de todas elas. A CPI é desnecessária e não soma para o debate democrático”, no entanto, afirma que o governo está fraco no Congresso Nacional.