Chimpanzés selvagens na África Ocidental estão desafiando cognições ao desenvolver um modo notável de comunicação à distância. Pesquisadores do Instituto Jane Goodall na Guiné-Bissau observaram os chimpanzés utilizando pedras para gerar sons. Este processo, documentado ao longo de cinco anos, revelou que os primatas usam sons para compartilhar mensagens entre grupos na floresta densa.
As câmeras registraram chimpanzés machos batendo pedras contra troncos de árvores, formando pilhas no solo. O som gerado é eficiente em se propagar por longas distâncias, ampliando as oportunidades de comunicação entre grupos afastados. A abilidade dos chimpanzés em usar ferramentas demonstra uma evolução na comunicação entre primatas. O estudo sugere que o comportamento é transmitido entre gerações, configurando uma prática cultural aprendida socialmente.
Vantagens da comunicação com pedras
Diferente das tradicionais batidas com mãos ou pés em raízes ocas, o uso de pedras apresenta vantagens acústicas. Os ruídos mais agudos e de baixa frequência superam os desafios impostos pela densidade das florestas, permitindo maior alcance comunicativo. Chimpanzés jovens imitam os gestos dos mais velhos, reforçando a ideia de que tal prática cultural é aprendida e não geneticamente herdada.
A descoberta sublinha não apenas a sofisticação da comunicação dos chimpanzés, mas também a necessidade urgente de preservação dos seus habitats. Preservar esses locais é crucial para manter essas tradições culturais. A degradação ambiental pode comprometer não só as árvores, mas também as práticas comportamentais dos chimpanzés, que enfrentam pressões significativas devido à intervenção humana.
O estudo, iniciado em 2019 e liderado pela pesquisadora Liliana Pacheco, continua sendo um marco importante para entender as interações sociais e comunicativas dos símios. Esta pesquisa, abrangendo 9 anos de observação, revela como as tradições culturais dos primatas são complexas e socialmente mantidas.
