No final do período Cretáceo, a região que hoje corresponde à Patagônia, na América do Sul, era dominada por dinossauros gigantes, como o Megaraptor. No entanto, esses não eram os únicos predadores no topo da cadeia alimentar.
Um crocodilo terrestre recém-descoberto, batizado de Kostensuchus atrox, mostrou-se tão letal quanto os grandes carnívoros da época.
Descoberta surpreendente na Patagônia
Os fósseis do Kostensuchus foram encontrados em março de 2020, durante uma expedição na província argentina de Santa Cruz, conhecida por suas paisagens áridas e ventos fortes. O crânio preservado do animal tem cerca de 72 milhões de anos, datando de seis milhões de anos antes do fim do Cretáceo.
Diferente de outros fósseis de crocodilos, este estava excepcionalmente bem preservado, com partes do crânio, coluna vertebral, ombros e quadris articulados, o que surpreendeu os pesquisadores.
Um predador imponente e ágil
Com cerca de 3,5 metros de comprimento e mais de 250 quilos — tamanho comparável ao de um tigre-siberiano —, o Kostensuchus era um predador terrestre ágil. Suas mandíbulas largas e dentes serrilhados lembram lâminas de facas de açougueiro, semelhantes aos de grandes dinossauros carnívoros e dragões-de-komodo modernos. Isso indica que ele era capaz de caçar dinossauros de médio porte e outros animais da época.
Postura e estilo de vida
Enquanto crocodilos do Hemisfério Norte evoluíram para uma vida semiaquática, as linhagens sul-americanas e africanas desenvolveram uma postura ereta, com as pernas posicionadas sob o corpo, semelhante à dos dinossauros e mamíferos. O Kostensuchus apresentava uma postura um pouco mais aberta, sugerindo que, apesar de ser um predador terrestre eficiente, mantinha certa afinidade com ambientes aquáticos.
A descoberta amplia a compreensão do ecossistema do Cretáceo na América do Sul, onde crocodilos gigantes competiam com dinossauros carnívoros pelo domínio das planícies. Essa rivalidade persistiu mesmo após a grande extinção que eliminou muitas espécies.
