Um fóssil juvenil de ceratossauro, um dinossauro predador que viveu há cerca de 150 milhões de anos, irá a leilão em julho, em Nova York. O evento é organizado pela renomada casa de leilões Sotheby’s, que estima arrecadar entre US$ 4 milhões e US$ 6 milhões (até R$ 32 milhões). Este ceratossauro é o único exemplar juvenil com um crânio completo já descoberto, composto por 57 ossos frágeis. A raridade deste fóssil atrai tanto colecionadores quanto instituições de pesquisa.
Impacto no mercado de fósseis
A venda deste ceratossauro provoca apreensão na comunidade científica. A preocupação principal é que a crescente valorização dos fósseis no mercado privado torne mais difícil para museus públicos adquirirem exemplares importantes. Esse fenômeno é conhecido como “efeito Apex”, nome dado após o leilão de um estegossauro que alcançou US$ 45 milhões, inflacionando o mercado de fósseis.
Descoberto em 1999 na Bone Cabin Quarry, em Wyoming, o fóssil passou anos em exposição no Museum of Ancient Life, em Utah. Em 2014, foi vendido para a Fossilogic, uma empresa de paleontologia comercial. Recentemente, o fóssil foi restaurado através de impressões 3D e suportes metálicos, métodos que ajudam para que os ossos frágeis sejam estudados e exibidos com segurança.
O leilão gera expectativas não apenas pela venda em si, mas pelas suas consequências no setor de paleontologia. Enquanto críticos destacam o risco de exacerbação da especulação, a Sotheby’s defende que leilões como este promovem a filantropia e ampliam a visibilidade do patrimônio fóssil. Segundo Cassandra Hatton, representando a Sotheby’s, o fóssil ainda não foi descrito em literatura científica por falta de certificação do museu como repositório oficial, o que pode ser corrigido com a venda.
