No Brasil, mais de 92% dos veículos novos são equipados com motores flex, capazes de usar gasolina, etanol ou suas misturas. Esta tecnologia, introduzida em 2003, tem despertado dúvidas sobre a eficácia dessa combinação e se existem realmente vantagens econômicas ou de desempenho. A questão é: misturar etanol e gasolina faz sentido? Especialistas da indústria automotiva se debruçaram sobre o tema para esclarecer a situação.
Automação e eficiência dos motores flex
Os motores flex ajustam automaticamente a mistura de combustível para otimizar desempenho, tirando proveito das propriedades de cada um. Segundo estudos realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, esses motores permitem que a relação de combustível seja ajustada independentemente, otimizando a eficiência sem comprometer o funcionamento. Com a gasolina no Brasil contendo atualmente 27% de etanol, a necessidade de combinação manual praticamente desaparece.
Misturar combustíveis pode parecer uma estratégia econômica, só que o benefício real depende das flutuações de preço. Enquanto o etanol é mais barato e menos poluente por emitir menos gases de efeito estufa, a gasolina oferece maior autonomia, percorrendo maiores distâncias com um litro. Contudo, a eficácia de tal mistura depende de outros fatores como o tipo de uso do veículo e os preços relativos na bomba. Não há vantagem clara em misturas manuais, considerando que a gasolina vendida nos postos já contém um percentual significativo de etanol.
Em 2025, o governo brasileiro planeja aumentar o percentual de etanol na gasolina para 30%. A proposta visa reforçar a autossuficiência energética e reduzir as emissões de CO₂. Lista-se como um ganho ambiental significativo, evidenciado pela capacidade de adaptação dos motores flex para lidar com essas mudanças sem problemas. O uso de motores flex assegura um meio termo eficiente entre economia e desempenho, minimizando a necessidade de intervenções manuais na mistura de combustíveis.
