Em junho de 2025, a Europa enfrentou uma onda de calor intensa, com temperaturas superando os 40ºC. Esse fenômeno não é novidade, mas sua frequência e intensidade têm aumentado, levando a preocupações com a saúde pública, incluindo a morte de pelo menos oito pessoas devido ao calor extremo. Apesar desse cenário alarmante, o uso de ar-condicionado na Europa ainda é bastante limitado.
Por que o ar-condicionado é raro?
Apenas 20% das residências europeias possuem ar-condicionado, com números ainda mais baixos em alguns países: apenas 5% no Reino Unido e 3% na Alemanha. Historicamente, as ondas de calor na Europa não eram tão severas, o que fez muitos europeus não considerarem necessário investir nesse tipo de equipamento. Além disso, o ar-condicionado pode aumentar significativamente as contas de energia, desestimulando sua adoção.
Outro fator que contribui para a baixa utilização de ar-condicionado é a arquitetura europeia. Os edifícios antigos, com paredes grossas e janelas projetadas para maximizar a ventilação, ajudam a manter os ambientes frescos. Essa construção tradicional é uma adaptação prática ao clima, tornando desnecessário o uso de aparelhos de ar-condicionado em muitos casos.
A preocupação com as mudanças climáticas também influencia a resistência ao ar-condicionado. A Europa se comprometeu a se tornar neutra em carbono até 2050, e o uso de ar-condicionado é visto como um obstáculo a essa meta, devido ao seu alto consumo de energia, frequentemente gerada a partir de combustíveis fósseis. Esse tema já se tornou um ponto de discussão política, como evidenciado pelas propostas da líder da extrema-direita na França, Marine Le Pen, que anunciou um plano nacional para aumentar a presença de ar-condicionado.
