Leandro Karnal revelou, em entrevista ao programa Alt Tabet, do Canal UOL, que recusou três convites para entrar na política. Um desses convites, segundo ele, foi para assumir a presidência interina durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.
O historiador contou que sempre deixou claro não ter interesse nesse caminho. “Fui convidado três vezes para ser político e nas três vezes disse que não era minha vocação”, afirmou. Karnal ressaltou que nunca se viu exercendo cargos dessa natureza.
O convite mais inusitado
Naquele período de instabilidade política, havia a possibilidade de que tanto a presidente Dilma quanto o vice Michel Temer fossem afastados. Nesse cenário, a Constituição previa que o Congresso escolhesse um nome provisório até novas eleições.
De acordo com Karnal, autoridades da República buscavam alguém de fora da política, conhecido nacionalmente e que não fosse rejeitado por diferentes grupos. Por isso, ele chegou a ser cogitado para a presidência interina e foi convidado para um jantar para discutir o assunto.
Apesar da sondagem, o historiador rejeitou a ideia de assumir tal posto. Ele usou uma comparação histórica para explicar sua decisão. “Disse que não tinha vocação para ser o papa Celestino V, que foi retirado de uma caverna no século 13 e colocado no poder apenas porque não havia consenso. No fim, acabou preso e morto”, destacou.
Para ele, aceitar o cargo seria assumir um papel de “tapa-buraco” em uma crise política. Karnal afirmou que não queria ser manipulado como alguém chamado apenas para apagar incêndios criados por outros.
“Não me convidem para resolver uma situação que vocês mesmos criaram”, concluiu o historiador, reforçando que sua vida e carreira seguem voltadas à educação, ao pensamento crítico e ao debate público, longe da política partidária.






