Os jumentos no Brasil enfrentam um risco iminente de extinção, com a previsão de desaparecer até 2030 devido à intensa demanda chinesa por colágeno extraído de suas peles. Conforme dados do Ministério da Agricultura, a população de jumentos no país sofreu uma queda drástica, passando de 1,37 milhão em 1996 para aproximadamente 78 mil hoje, uma redução de 94%.
Abate aos jumentos: uma indústria predatória
Frigoríficos na Bahia conduzem abates sistemáticos para suprir a demanda pelo ejiao, um produto da medicina tradicional chinesa. Três estabelecimentos licenciados pelo Serviço de Inspeção Federal, todos na Bahia, realizam estas operações. Os abates superam a capacidade dos animais se reproduzirem, caracterizando um processo insustentável. Cerca de 248.000 jumentos foram abatidos entre 2018 e 2024 apenas nesse estado.
A extinção iminente não é o único problema. A utilização desses animais em atividades como transporte e agricultura nas áreas rurais brasileiras é histórica. Entretanto, abusos têm sido denunciados, com relatos de confinamento inadequado e transporte misto com falta de condições sanitárias, conforme fontes do Ministério da Agricultura e do Donkey Sanctuary.
Organizações como a The Donkey Sanctuary estão ativamente engajadas em campanhas para interromper o abate desenfreado. Propostas de lei para proibir o abate de jumentos estão em tramitação, tanto na esfera federal quanto estadual. Na Bahia, por exemplo, o Projeto de Lei n° 24.465/2022 busca sancionar tais práticas. No plano internacional, a União Africana estabeleceu moratórias semelhantes para preservar a espécie.
Enquanto busca-se um equilíbrio entre a preservação dos jumentos e as necessidades econômicas locais, iniciativas para resgatar os animais e fomentar sua reprodução são discutidas. Espera-se que medidas eficazes e políticas sustentáveis sejam rapidamente implementadas para reverter essa tendência antes que seja tarde demais.
