O intenso fluxo turístico nas Ilhas Canárias, representando mais de 35% do PIB local, está gerando descontentamento crescente entre os residentes. Recentemente, milhares de pessoas se uniram para protestar contra os impactos negativos dessa atividade. Os turistas lotaram as ilhas, sobrecarregando serviços públicos e agravando problemas habitacionais.
Crise habitacional e turismo
A crise habitacional é uma preocupação central. O turismo de massa elevou os preços dos alugueis, levando muitas propriedades a serem incluídas em aplicativos de aluguel de temporada. Isso reduziu as opções de moradias acessíveis para os locais, com muitos sendo forçados a buscar alternativas precárias de habitação.
O aumento de visitantes vem afetando infraestrutura e ambientes naturais. Hospitais estão sobrecarregados e há superlotação nos transportes públicos. Ademais, as áreas naturais sofrem com a presença excessiva de turistas, o que está levando as autoridades a considerar a implementação de uma eco-taxa, a partir de 2026, especificamente para turistas que visitarem o Parque Nacional do Teide.
Em outubro de 2024, aproximadamente 30 mil pessoas participaram de protestos em várias ilhas das Canárias, pedindo mudanças no modelo de turismo atual. Os manifestantes, sob o slogan “Canárias têm um limite”, exigem políticas que conciliam desenvolvimento econômico com preservação ambiental e melhores condições de vida para a população local.
Tenerife planeja implementar a referida eco-taxa, revertendo os fundos para a conservação do Parque Nacional do Teide e reduzindo o acesso de veículos particulares. Em paralelo, uma proposta de lei tenta limitar novos alugueis turísticos para proteger o mercado imobiliário e garantir mais moradias para residentes locais.
