Tuvalu, uma pequena nação insular no Pacífico, corre o risco de sumir do mapa por causa da elevação do nível do mar. Cientistas alertam que, se o aquecimento global não for controlado, o país pode se tornar inabitável ainda neste século. Diante disso, líderes locais pedem que nações ricas assumam sua responsabilidade na luta contra a crise climática.
Na sexta-feira (12), o ministro do Clima de Tuvalu reforçou que agir contra as mudanças climáticas é uma “responsabilidade moral” dos países mais poluidores. O alerta foi feito enquanto o governo busca, junto à ONU, reconhecimento para proteger sua herança cultural diante da ameaça de extinção.
Para tentar garantir o futuro de sua população, Tuvalu assinou um acordo histórico com a Austrália. O tratado permite que cidadãos tuvaluanos obtenham vistos para viver e estudar em território australiano. A ideia é oferecer uma alternativa caso as ilhas se tornem impossíveis de habitar.
Resistência em meio à ameaça
Apesar dos riscos, os tuvaluanos resistem à ideia de desaparecimento. “A resiliência sempre fez parte de quem somos”, afirmou a ministra do Clima, Maina Talia. Segundo ela, mesmo diante da ameaça do mar, a identidade e a cultura do povo seguem firmes.
Hoje, os efeitos já são sentidos na rotina. O avanço da água salgada invade o solo durante as marés altas, até mesmo no centro da capital, Funafuti. Para lidar com isso, a população passou a plantar em jardins elevados, garantindo a continuidade da agricultura.
Além das soluções práticas, o país aposta na inovação. Tuvalu está construindo um mapa 3D de suas terras, parte de um projeto para se tornar a primeira “nação digital” do mundo. Assim, mesmo que o território físico desapareça, sua memória e identidade poderão permanecer vivas.
Outra iniciativa é tentar incluir suas tradições, locais sagrados e espaços comunitários na Lista do Patrimônio Mundial da ONU. O processo deve levar anos, mas, como disse a ministra Talia, é essencial: “Não queremos que Tuvalu se torne apenas uma lembrança”.
