Um peixe brasileiro está atraindo atenção global, embora ainda seja pouco conhecido internamente. Em 2025, as exportações do curimatá, um peixe de água doce nativo, aumentaram 333%, gerando US$ 580 mil nos primeiros três meses do ano. O destaque ocorreu tanto devido à sua carne versátil quanto à crescente demanda internacional por produtos alimentares mais sustentáveis.
O curimatá, encontrado em diversas regiões do Brasil como a Bacia Amazônica e o São Francisco, é apreciado por sua capacidade de equilibrar ecossistemas. Alimentando-se de matéria vegetal e lodo, ele contribui significativamente para a reciclagem de nutrientes nos rios. Apesar disso, sua presença nas mesas brasileiras ainda é limitada.
Potencial ainda não aproveitado
Embora o curimatá esteja em ascensão no comércio exterior, no Brasil, o consumo é dominado pela tilápia. Este peixe representa 92% do valor total das exportações de piscicultura, enquanto espécies nativas, como o curimatá, ficam em segundo plano. No mercado doméstico, isso reflete preferências que ainda não valorizam adequadamente a diversidade local.
Os peixes, incluindo o curimatá, são fontes ricas de proteínas e ômega-3, essenciais para a saúde cardiovascular e o fortalecimento do sistema imunológico. Incorporar o curimatá na dieta poderia diversificar os cardápios e melhorar a saúde da população brasileira. Esse peixe ainda precisa ser mais promovido internamente para ocupar uma posição merecida na gastronomia nacional.
Atualmente, não há informações sobre ações específicas de empresas ou do governo para incentivar o consumo interno do curimatá. Enquanto as exportações continuam a crescer, o Brasil tem uma oportunidade única de aumentar o consumo doméstico, valorizando seu próprio patrimônio natural. É essencial que ações sejam desenvolvidas para fechar a lacuna entre exportação e consumo local, potencializando o curimatá não apenas como um produto de exportação, mas também como um elemento vital na mesa dos brasileiros.
