A dependência global do carvão persiste mesmo após a assinatura do Acordo de Paris em 2015, cuja meta é limitar o aquecimento global. O mundo ainda queima quase o dobro do carvão consumido no início do milênio, com 8,77 bilhões de toneladas registradas em 2024, um recorde histórico. Isso contrasta com as expectativas de muitos que esperavam uma transição rápida para energias renováveis.
A dependência econômica do carvão
O carvão é uma fonte de energia barata e abundante, especialmente para economias emergentes como China, Índia e Indonésia. Ele garante um fornecimento energético constante, ao contrário das renováveis, que enfrentam desafios com o suprimento contínuo. A demanda crescente de eletricidade nestes locais impulsiona essa dependência, dificultando a substituição total do carvão.
Fatores geopolíticos também desempenham um papel relevante na permanência do carvão. A pandemia de Covid-19 e os conflitos internacionais resultaram em crises econômicas que levaram diversos países a recorrer novamente ao carvão. Esse movimento foi visto em meio a crises financeiras globais e flutuações nos preços do gás natural, tornando o carvão uma opção mais econômica e atraente em certos contextos.
A China e a Índia são os maiores consumidores de carvão, e suas demandas mostram poucos sinais de diminuição. As previsões indicam que a Índia poderá atingir o pico de uso de carvão antes de 2035, enquanto o crescimento econômico e urbanização na China continuam a consolidar o papel do carvão em suas matrizes energéticas.
Enquanto o mundo busca soluções para uma transição energética sustentável, o carvão permanece uma peça essencial no quebra-cabeça energético global. Espera-se que, até o final de 2023, novas estratégias sejam revisadas, conciliando o desafio de equilibrar a segurança energética com a urgência das metas climáticas globais.
