Outorga sobre desvio de água pela Vale em Catas Altas fica para depois do carnaval

Mineradora afirma que medida é necessária para expandir operação. Manifestantes afirmam que ação prejudica abastecimento de água para a população e gera impacto ambiental

Outorga sobre desvio de água pela Vale em Catas Altas fica para depois do carnaval
Desde as reuniões em João Monlevade, manifestantes questionam representantes da Vale – Foto: Cíntia Araújo/DeFato Online

A decisão do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH-MG) sobre a outorga que autoriza a mineradora Vale para desvio e uso de água no distrito do Morro da Água Quente, em Catas Altas, vai ficar para depois do Carnaval. É que três pedidos de vistas sobre a questão resultaram  no adiamento da votação para dia 28 deste mês.

Os pedidos foram do secretário de Meio Ambiente de Santa Bárbara, Felipe Guerra, do representante da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Odorico Araújo e da representante da Associação para Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá), Marta de Freitas. Os três querem respostas contundentes da mineradora sobre questões levantadas em reuniões do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH), ocorridas em janeiro, na Amepi, em João Monlevade. O primeiro encontro também teve pedidos de vistas de mebros do comitê e o segundo não ocorreu teve a votação da outorga por falta de quórum.

Entenda o projeto

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A partir da mudança no curso d’água, a Vale pretende aumentar a produção de minério de ferro no Complexo de Fazendão, em Mariana, de 17 milhões de toneladas anuais para 25 milhões. Para tanto, seria necessário ainda a ampliação da cava São Luiz e a reativação das cavas Tamanduá e das Almas. Esse ponto gera descontentamento dos manifestantes. Eles querem desmembrar a cava São Luiz das outras duas, pois discordam da reativação das mesmas. No entanto, o projeto da mineradora é justamente interligar as cavas.

Outro ponto de tensão é o desvio do curso d’água. Apesar de a Vale defender que 80% da água captada pela empresa retornará aos leitos e que o beneficiamento do minério será feito com umidade natural, a comunidade tem intensa desconfiança. Tanto que um dos argumentos usados é a dificuldade de abastecimento para a população e ainda o impacto ambiental junto às cachoeiras e outras atrações turísticas da comunidade de Morro da Água Quente a partir da atividade minerária.

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