Preocupação e repúdio: Vita se pronuncia após motorista de ônibus ser agredido durante abordagem policial em Itabira
Segundo a empresa, o profissional foi abordado de maneira desproporcional e agressiva
A Viação Itabira (anteriormente chamada de Transportes Cisne) se pronunciou formalmente nesta segunda-feira (31), após um de seus motoristas ter sido agredido durante uma abordagem da Polícia Militar na Avenida Madalena Pereira Santos, no bairro São Joaquim, em Itabira. O caso gerou grande repercussão após imagens do episódio circularem nas redes sociais, onde o motorista, Geraldo do Carmo, denunciou as agressões sofridas durante a ação dos policiais, enquanto a Polícia Militar nega irregularidades e alega que ele resistiu à abordagem.
Em nota oficial, a Vita manifestou sua preocupação e repúdio em relação ao episódio ocorrido. Segundo a empresa, o profissional foi abordado de maneira desproporcional e agressiva. “Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, o respeito e a dignidade de todos os nossos colaboradores, bem como com o direito ao trabalho em um ambiente seguro e livre de intimidações. O transporte coletivo é um serviço essencial à população e deve ser tratado com a seriedade e o respeito que merece”, diz um trecho da nota.
Em outro trecho do comunicado, a empresa reforça que respeita e admira as forças de segurança, “reconhecendo a importância do trabalho realizado diariamente para a proteção da sociedade”. No entanto, a empresa frisou que as abordagens devem ser conduzidas dentro dos princípios da “legalidade, proporcionalidade e respeito aos cidadãos”.
Por fim, a Vita disse estar acompanhando o caso de perto e prestando todo o apoio necessário ao colaborador. “Confiamos que as autoridades competentes tomarão as devidas providências para esclarecer os fatos e evitar que situações como essa se repitam”, finaliza a empresa, que disse estar à disposição para o diálogo, tendo compromisso com a “ética, a transparência e o respeito a todos os envolvidos”.
Confira o comunicado na íntegra
“A Viação Itabira vem a público manifestar sua preocupação e repúdio em relação ao episódio ocorrido recentemente envolvendo um de nossos motoristas e agentes da segurança pública. O profissional, que estava em pleno exercício de suas funções, foi abordado de maneira desproporcional e agressiva, situação esta que causou grande repercussão em nossa cidade.
Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, o respeito e a dignidade de todos os nossos colaboradores, bem como com o direito ao trabalho em um ambiente seguro e livre de intimidações. O transporte coletivo é um serviço essencial à população e deve ser tratado com a seriedade e o respeito que merece.
Ao mesmo tempo, reforçamos nosso respeito e admiração pelas forças de segurança, reconhecendo a importância do trabalho realizado diariamente para a proteção da sociedade. No entanto, acreditamos que abordagens devem ser conduzidas dentro dos princípios da legalidade, proporcionalidade e respeito aos cidadãos.
Estamos acompanhando o caso de perto e prestando todo o apoio necessário ao nosso colaborador. Confiamos que as autoridades competentes tomarão as devidas providências para esclarecer os fatos e evitar que situações como essa se repitam.
A Viação Itabira permanece à disposição para o diálogo e reforça seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito a todos os envolvidos”.
Motorista de ônibus denuncia agressão policial
Em entrevista exclusiva para o radialista Vagner Ferreira, o motorista Geraldo do Carmo contou sua versão dos fatos. Segundo ele, a confusão começou quando não percebeu a aproximação da viatura, que estava apenas com o giroflex ligado, e não com a sirene acionada. “Eu arranquei o ônibus e continuei a viagem. Vi que não tinha como ele passar e segui. Perto do Posto Chiquito, descendo, dei passagem para eles”, relatou.
No entanto, segundo Geraldo, a viatura parou em frente ao ônibus, impedindo sua passagem, e os policiais teriam iniciado a abordagem de forma agressiva. “Chegaram com ignorância, agredindo verbalmente. Mandaram eu descer do ônibus e já chegaram me batendo, me dando pontapé, me enforcando”, afirmou. Ele disse ainda que tentou se identificar como reservista do Exército, mas que sua carteira foi jogada para longe pelos agentes. “Depois eu não lembro de mais nada, só sei que apanhei muito.”
Geraldo sofreu ferimentos no braço e na boca e disse que sentiu dores por ter sido algemado com os braços para trás. Ele foi levado ao pronto-socorro e, em seguida, encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, onde foi autuado por resistência e usurpação de função pública.
“Agora vou entrar com uma ação contra esses policiais. Eu sou um pai de família, todo mundo me conhece”, declarou.
Posicionamento da Polícia
Em nota divulgada na manhã de domingo (30), a Polícia Militar afirmou que a abordagem ocorreu após o ônibus impedir a passagem da viatura, que estava com sinais sonoros e luminosos ativados. Segundo a PM, o motorista apresentou resistência e se identificou como militar do Exército Brasileiro, exibindo um documento que teria sido posteriormente verificado e considerado falso.
Ainda de acordo com o comunicado, durante a abordagem, um dos policiais sofreu uma lesão na mão direita e precisou de atendimento médico. “Diante da situação apresentada, ficou constatado que o motorista do ônibus apresentou documento falsificado aos policiais militares, resistiu à prisão e lesionou um dos militares, pelo que foi conduzido preso à Delegacia de Polícia para as providências pertinentes”, diz a nota.
A PM também informou que o caso está sendo acompanhado pelos órgãos de controle interno e que, caso sejam constatadas irregularidades na ação policial, medidas administrativas e penais serão adotadas.
“O 26º BPM se coloca à disposição para esclarecimentos e reafirma seu compromisso com a proteção da vida e a manutenção da ordem pública em todos os municípios em que atua”, concluiu o comunicado.
Confira a nota à Imprensa emitida pela Polícia Militar