“Tranquiliza, mas é só uma possibilidade”, diz superintendente da Defesa Civil sobre talude apenas se acomodar
A informação dada pela Vale nesta terça-feira, 28, de que o talude norte da mina de Gongo Soco pode apenas “escorrer” e se acomodar dentro da cava, sem causar impactos na barragem Sul Superior, é tratada pela Defesa Civil de Minas Gerais como apenas mais uma possibilidade. Apesar de admitir que é uma notícia que […]
A informação dada pela Vale nesta terça-feira, 28, de que o talude norte da mina de Gongo Soco pode apenas “escorrer” e se acomodar dentro da cava, sem causar impactos na barragem Sul Superior, é tratada pela Defesa Civil de Minas Gerais como apenas mais uma possibilidade. Apesar de admitir que é uma notícia que traz mais tranquilidade, o superintendente de Gestão de Riscos de Desastres do órgão, major Marcos Afonso Pereira, diz que a equipe continua trabalhando com o pior cenário possível, que seria o rompimento da barragem.
“É uma informação importante porque ela leva a um cenário de menor risco de tremor, que é a nossa grande preocupação pela possibilidade de afetar a barragem Sul Superior. Tranquiliza principalmente a comunidade, mas é tratada pela Defesa Civil como uma das possibilidades. Ainda não foi descartada a possibilidade de um descolamento. A gente está lidando com a física, não dá para descartar completamente a possibilidade da queda”, explicou, em entrevista a DeFato Online no centro de comando montado na Universidade Aberta do Brasil (UAB), em Barão de Cocais.
Por volta das 18h, a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que a velocidade de deformação na porção inferior do talude norte chega a 20,4 centímetros por dia. Alguns pontos isolados, no entanto, atingiram 25,9 cm/dia. É justamente essa diferença, registrada na base da estrutura, explica o superintendente da Defesa Civil, que levou a Vale a prever o assentamento mais tranquilo do maciço.
“A gente vem recebendo os dados da geotécnica desde o dia 13 de maio, quando se iniciou o deslocamento com 4 centímetros. Nós chegamos hoje a uma média de 19 centímetros de deslocamento, com a informação agregada de que em pontos específicos, principalmente na base do talude, o deslocamento é um pouco mais rápido, na casa dos 24 centímetros. O que leva a uma maior probabilidade de que aconteça um assentamento em forma de deslizamento para dentro da cava. Em tese, o talude escorreria para dentro da cava”, explica o major Pereira.
Ainda segundo o representante da Defesa Civil, não é possível prever uma metragem limite para o desprendimento ou assentamento do talude. “Esses dados são estimativos. Não existe nada físico que indique o limite, ou a partir de quanto de deslocamento esse talude romperia. Pode romper a qualquer momento, como também pode continuar com esse deslizamento em longo tempo. Não há um parâmetro para mensurar isso”, diz.
Prevenção
A nova informação da Vale não altera o cenário em Barão de Cocais. A barragem Sul Superior continua em nível 3 de risco de rompimento, o mais alto na escala definida pela ANM. Com isso, todos os procedimentos de emergência estão mantidos na cidade.
“Enquanto Defesa Civil, a gente continua tratando o pior cenário. Inclusive, trabalhando com o cenário de ruptura da barragem e preparando as pessoas para a evacuação. E, caso isso não venha ocorrer – que é o que a gente pretende – , ficam as ações de salvamento e proteção das pessoas”, comenta o major.
Nessa última madrugada, inclusive, a Defesa Civil realizou a checagem de todo o sistema de comunicação dos órgãos de segurança. Através da rede de rádio, foram acionados todos os postos de alerta, principalmente os veículos de emergência que estão postados pela cidade. Segundo o major, o resultado foi positivo, com “100% de alerta durante a madrugada”.