Se estivesse vivo, o poeta Carlos Drummond de Andrade – filho mais ilustre de Itabira – completaria 110 anos neste 31 de outubro. Grande divulgador do modernismo, o escritor entrou para a história da literatura brasileira essencialmente como poeta, apesar de sua produção incluir livros infantis, contos e crônicas.
Drummond formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto, aos 23 anos, por insistência da família. Nesse período, fundou com outros autores, como Emílio Moura, "A Revista", periódico de divulgação do modernismo no Brasil. Após mudar-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete do Ministério da Educação até 1945, Drummond colaborou como cronista nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Na então capital federal lança algumas de suas obras mais importantes, como "Sentimento do Mundo" (1940), "A Rosa do Povo" (1945) e "Claro Enigma" (1951).
Uma das marcas das obras de Drummond é a variedade tema, mas há alguns traços marcantes. “Em meio a tantos temas, é possível encontrar duas 'linhas de força'. No início, um individualismo ferrenho e rebelde. Depois, a aceitação dos valores patriarcais da sociedade mineira", comenta o escritor Silviano Santiago, palestrante da mesa de abertura da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), na qual o poeta itabirano foi homenageado neste ano.
Carlos Drummond de Andrade morreu em 17 de agosto de 1987, aos 84 anos. Durante a Flip deste ano foram lançados alguns trabalhos inéditos do escritor. Entre as principais publicações destacam-se "25 Poemas da Triste Alegria" (Cosac Naify), livro de 1924 nunca publicado pelo autor, e "Cyro & Drummond" (Editora Globo), que reúne 50 anos de correspondência entre Drummond e o escritor Cyro dos Anjos.
Sua obra oficial tem sido relançada pela Companhia das Letras , que venceu a disputa pelos direitos de Drummond com a Record. Entre os livros já lançados estão "A Rosa do Povo" (1945), "Claro Enigma" (1951), "Contos de Aprendiz" (1951), e "Fala, Amendoreira" (1957).
Assista ao vídeo produzido pelo Portal Uol com atores "Josés" interpretando o poema "E agora, José?", um dos mais famosos de Drummond: