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5º Flitabira celebra a literatura e a força da cultura brasileira em meio a reflexões sobre o país

5º Flitabira celebra a literatura e a força da cultura brasileira em meio a reflexões sobre o país

Foto: @bleia/Flitabira

O 5º Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira) começou oficialmente na noite de quarta-feira (29), no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), marcando o início de cinco dias de imersão na literatura, na cultura e na reflexão sobre o Brasil contemporâneo. Com o tema “Literatura, Encruzilhada e a Rosa do Povo”, o evento reforça o papel da arte e da palavra como instrumentos de resistência e transformação social.

A abertura contou com a presença do idealizador do festival, Afonso Borges, e do prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), além de escritores, artistas e representantes de instituições culturais. Em um discurso emocionado, Borges destacou que o Flitabira nasce do desejo de conectar arte e realidade. “O segredo do nosso trabalho é criar uma ponte contemporânea, filosófica, existencial com o real”, afirmou.

Afonso Borges discursa na abertura oficial do Flitabira – Foto: Gustavo Linhares/DeFato Online

O prefeito Marco Antônio Lage destacou o valor simbólico e social do festival para a cidade. “A literatura nos ajuda a refletir e a construir legados. O Flitabira é mais que um evento: é um espaço de formação, memória e identidade cultural para Itabira e para o Brasil”, disse o gestor, que também anunciou o lançamento do livro “Memórias do Meu Quilombo”, de Rosemary Alvares de Souza, a Dona Rosinha, que acontece nesta quinta-feira (30).

Logo após a cerimônia de abertura, o público acompanhou as primeiras mesas do festival. Na primeira, Sérgio Abranches, Jeferson Tenório e Bianca Santana discutiram o tema central da edição, abordando os cruzamentos entre literatura, política e contemporaneidade. Em seguida, Itamar Vieira Junior, Morgana Kretzmann e Matheus Leitão debateram memória, território e natureza na produção literária brasileira.

Foto: Gustavo Linhares/DeFato Online

Reflexões em meio à dor

O início do festival também foi marcado pela comoção diante da operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortos. A tragédia foi lembrada pelos oradores como símbolo de um país em crise humanitária e ética.

“Nós já estávamos meio que em estado de pânico com o que estava acontecendo neste ano no Brasil. Não só no Brasil, mas no mundo. Hoje [quarta-feira], ao entrar neste teatro, a gente pensou em tanta coisa por dizer, para falar e fomos flagrados com o que aconteceu ontem [terça-feira] no Rio. Então, já não muda o rumo a nossa conversa porque o segredo do nosso trabalho é criar uma ponte contemporânea, filosófica, existencial, com o real”, afirmou Afonso Borges, destacando a responsabilidade da arte em provocar reflexão diante de tempos sombrios.

“Se a literatura não tiver esse papel de compor um cenário com o que está acontecendo no Brasil, no mundo, não vale a pena reunir tanta gente. Não vale a pena falar tanto, sobretudo, do que está acontecendo no Brasil, principalmente a esse mundo, a esse movimento fascista, esse movimento de extrema direita que está permeando. Nós como pessoas democratas, sem partido, sem falar em nenhum tipo de cor partidária, como pessoas democráticas, prezamos pela ética, prezamos pela condução do comportamento humano. Nós, escritores, sabemos o quanto isso é difícil”, completou.

O prefeito Marco Antônio Lage também se solidarizou com as vítimas, citando tragédias históricas como Eldorado dos Carajás e Carandiru. “Afonso [Borges] falou desse momento tão tenebroso do Brasil, que volta à cena depois de tantos outros acontecimentos, Eldorado dos Carajás, Carandiru e por aí vai. Mais uma vez a gente achando que não iria acontecer mais, e acontece um pior. Então, precisamos refletir cada vez mais, a literatura nos ajuda, esse evento nos ajuda. Itabira, além desses cinco dias de mergulho em literatura, também fala em legados, isso é importantíssimo”, declarou.

Em relação aos casos citados pelo prefeito de Itabira, Eldorado dos Carajás, no Pará, aconteceu em 1996, quando 19 trabalhadores sem terra foram mortos por policiais militares. Já o “massacre do Carandiru”, em 1992, foi resultado de uma ação policial para conter uma rebelião no presídio de Carandiru, em São Paulo — na ocasião, militares invadiram a penitenciária e mataram 111 presos.

Foto: Gustavo Linhares/DeFato Online

Lançamento de “Memórias do Meu Quilombo” e programação desta quinta-feira

Nesta quinta-feira (30), o destaque do Flitabira é o lançamento de “Memórias do Meu Quilombo” (Editora Pallas), primeiro livro da líder comunitária Dona Rosinha, com prefácio de Conceição Evaristo e mediação de Marcelino Freire. A obra reúne 16 narrativas curtas baseadas na vivência da autora no Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira, e reafirma o poder da literatura como instrumento de cidadania e ancestralidade.

A programação segue intensa ao longo do dia, com atividades voltadas ao público infantil e juvenil pela manhã e início da Programação Local, às 11h, na Biblioteca Pública, com mesas sobre literatura, política, memória e amor.

Na Programação Nacional e Internacional, a partir das 17h, o palco principal do Teatro recebe Sérgio Abranches, Jeferson Tenório e Bianca Santana, seguidos por Dona Rosinha, Conceição Evaristo, Fabiano Piúba e Luana Tolentino, que conversam sobre o livro recém-lançado.

À noite, o festival reúne ainda nomes como Ignácio de Loyola Brandão, Itamar Vieira Junior, Isabela Noronha e Teresa Cárdenas, encerrando o dia com o espetáculo “Xirê: Herança Ancestral”, de Acauã Ranne, no Coreto, às 20h30.

O Flitabira continua até domingo, 2 de novembro, com entrada gratuita e todas as atividades transmitidas pelo canal @flitabira no YouTube.

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