Mãe e filha morrem após queda de prédio no Centro de BH; caso reacende alerta sobre saúde mental e sobrecarga materna

Tragédia na Rua Espírito Santo ocorre meses após outro episódio semelhante no Barro Preto e reforça necessidade de atenção à saúde mental das mulheres

Mãe e filha morrem após queda de prédio no Centro de BH; caso reacende alerta sobre saúde mental e sobrecarga materna
Foto: Site Hotel Nacional INN/Arquivo

Uma mulher e a filha pequena morreram na tarde desta segunda-feira (1º) após caírem do 10º andar de um prédio na Rua Espírito Santo, no Centro de Belo Horizonte. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 15h30, mas as duas já estavam sem vida quando o socorro chegou. A Polícia Civil realizou perícia no local e abriu investigação para apurar as circunstâncias da ocorrência.

Segundo informações colhidas pela Polícia Militar, a principal testemunha do caso é a filha adolescente da vítima, que estava hospedada com a família no hotel desde o domingo. A jovem relatou que a mãe passou toda a noite anterior fazendo ameaças de se jogar do prédio e chegou a circular pela janela do apartamento em estado de forte abalo emocional. A adolescente buscou ajuda pouco antes da tragédia, o que reforça a gravidade da situação emocional enfrentada pela mãe.

A terceira filha foi a única sobrevivente do episódio e permanece acompanhada por familiares.

Saúde mental e sobrecarga materna no centro do debate

O caso reacendeu discussões sobre a saúde mental das mulheres, sobretudo daquelas que atuam como cuidadoras principais dos filhos e acumulam jornadas exaustivas. Especialistas destacam que situações de sobrecarga, somadas à falta de apoio familiar — especialmente paterno — podem aprofundar quadros de sofrimento psíquico e levar a crises graves.

Entidades de proteção à infância e coletivos ligados à saúde mental afirmam frequentemente que mães enfrentam diariamente responsabilidades emocionais e financeiras sem rede de apoio, o que torna o adoecimento silencioso e, muitas vezes, invisibilizado.

Relembre o caso do Barro Preto: maio de 2025

A tragédia no Centro de BH ocorreu sete meses após outro episódio marcante na cidade, que também envolveu uma mãe em sofrimento psicológico extremo.

Linha do tempo — Barro Preto, 9 de maio de 2025:

  • Em 9 de maio de 2025, avó, mãe e bebê foram encontradas mortas dentro de um apartamento no Barro Preto.

  • A Polícia Civil concluiu que as mortes foram causadas por intoxicação por monóxido de carbono, decorrente de bandejas de carvão queimado no quarto.

  • A mãe deixou uma carta relatando problemas emocionais, financeiros e familiares, além de sentimento de sobrecarga e ausência de apoio.

  • O caso gerou ampla repercussão e expôs a fragilidade de mulheres que enfrentam pressões psicológicas sem suporte.

A recorrência de episódios envolvendo mães e crianças em situações de extremo sofrimento reforça o alerta sobre a chamada “crise silenciosa da saúde mental materna”, marcada por abandono, negligência emocional e falta de políticas públicas de acolhimento.

Responsabilidade familiar e corresponsabilidade paterna

Especialistas defendem que, além de ampliar políticas públicas de saúde mental, é necessário discutir a corresponsabilidade dos pais, já que muitos lares registram abandono paterno e divisão desigual de tarefas, deixando as mães sobrecarregadas física e emocionalmente.

A ausência desse suporte agrava quadros psicológicos e pode levar mulheres ao limite.

Canais de apoio e prevenção

Sinais de alerta incluem: isolamento, irritabilidade extrema, exaustão, frases de desespero, mudanças repentinas de comportamento e sobrecarga evidente.

Serviços de apoio:

  • RAPS – Rede de Atenção Psicossocial (SUS)

  • CRAS – Centros de Referência em Assistência Social

  • CVV – Centro de Valorização da Vida (188) – atendimento gratuito, sigiloso e 24h

A Polícia Civil segue investigando o caso ocorrido nesta segunda-feira no Centro da capital.