Acompanhamento profissional em casos de depressão “leve” é essencial para combater o suicídio

Para psiquiatra, suicídios poderiam ser evitados caso o SUS oferecesse recursos em casos considerados iniciais

Acompanhamento profissional em casos de depressão “leve” é essencial para combater o suicídio
O psiquiatra do CAPS, Cássio de Andrade, falou sobre as principais características da depressão

Quebrando o tabu de que não se deve discutir o suicídio, uma audiência pública realizada no plenário da Câmara Municipal debateu nesta terça-feira, 8 de agosto, assunto que é considerado saúde pública. Profissionais explanaram sobre o tema e chamaram a atenção para importantes sinais de depressão.

O encontro contou com a presença do vereador Weverton “Vetão”; Valdélia Chaves, da coordenadora do Centro de Valorização à Vida (CVV); Heloísa Martins, Superintendente de Ações de Saúde; Cássio de Andrade, psiquiatra do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS); Ana Barbosa Silva, representante do projeto Promove e Andressa de Souza, diretora de Proteção e Saúde Básica

De acordo com o psiquiatra Cássio de Andrade, os pensamento suicidas não acontecem de uma hora pra outra e devem ser analisados atentamente. “Ninguém pensa em acabar com a própria vida do nada. Tudo começa com estágios mais leves de depressão. A história de quem quer tentar não dá aviso é mentira. A pessoa avisa sim, por diversas vezes, e por isso precisamos nos atentar aos sinais”, disse.

Dentre os sinais apontados pelo psiquiatra estão: desânimo, baixa produtividade, isolamento social, desinteresse, alteração de sono ou apetite, além dos próprios pensamentos suicidas. Cássio ainda comentou sobre problemas enfrentados no Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade em relação ao acompanhamento de pessoas depressivas. “O sistema hoje não oferece um apoio para pessoas com um nível leve de pressão. Apenas casos mais graves chegam ao CAPS, o que é um erro. Se tivéssemos a oportunidade de tratar casos leves, talvez eles não chegariam à medidas extremas”, afirmou.

A audiência introduziu o tema, que será discutido durante todo o mês de setembro, período de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

Entenda o CVV

O CVV — Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo, em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.

Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação) ou 141 (nos estados da Bahia, Maranhão, Pará e Paraná),  pessoalmente (nos 89 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br, por do chat  e-mail. Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 2.400 voluntários, localizados em 19 estados mais o Distrito Federal.

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