Para Defesa Civil, dificuldade da Vale em admitir riscos resultou na tragédia em Brumadinho
As dificuldades do grupo empresarial Vale e do poder público em admitir e verificar o nível de risco da barragem rompida na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (Região Central), foram apontadas por representantes da Defesa Civil como uma falha crucial e determinante para a morte de centenas de pessoas em 25 de janeiro de […]
As dificuldades do grupo empresarial Vale e do poder público em admitir e verificar o nível de risco da barragem rompida na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (Região Central), foram apontadas por representantes da Defesa Civil como uma falha crucial e determinante para a morte de centenas de pessoas em 25 de janeiro de 2019. A avaliação foi feita durante audiência de convidados realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nessa segunda-feira, dia 8, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho. As informações são da Assembleia Legislativa.
“Não foi bem sucedida, neste evento, a graduação dos níveis de risco”, afirmou o superintendente de Gestão de Risco de Desastre da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, major PM Marcos Afonso Pereira. Antes do rompimento, segundo o coordenador adjunto da Defesa Civil, tenente-coronel PM Flávio Godinho Pereira, não houve por parte da Vale qualquer informação de elevação do nível de risco da barragem que se rompeu.
O tenente-coronel preferiu não opinar sobre as causas do rompimento, mas ressalvou que é improvável uma estrutura como aquela vir abaixo sem qualquer sinal de risco. “Pela experiência que a gente tem, uma barragem não se rompe da noite para o dia”, afirmou ele, respondendo aos questionamentos do relator da CPI, deputado André Quintão (PT).
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) e o deputado Sargento Rodrigues (PTB) salientaram, criticaram e confirmaram com os convidados que todo o processo de identificação de risco era e é realizado pela própria empresa. “Ele eleva o nível de risco, ela decide se toca a sirene”, afirmou a deputada. “Ficou a bel prazer (da empresa)”, criticou Sargento Rodrigues.