“Rezo todos os dias para São Sebastião proteger minha casa”, diz moradora de Barão de Cocais

O altar na sala de Dona Maria do Carmo do Nascimento, de 69 anos, abriga três ou quatro santos diferentes, mas São Sebastião, conhecido como santo protetor dos desastres, tem um espaço especial na mesa de oração da aposentada. Moradora há 52 anos da rua Coronel José Gomes, considerada área secundária de risco em caso […]

“Rezo todos os dias para São Sebastião proteger minha casa”, diz moradora de Barão de Cocais
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O altar na sala de Dona Maria do Carmo do Nascimento, de 69 anos, abriga três ou quatro santos diferentes, mas São Sebastião, conhecido como santo protetor dos desastres, tem um espaço especial na mesa de oração da aposentada.

Moradora há 52 anos da rua Coronel José Gomes, considerada área secundária de risco em caso de rompimento da barragem Sul Superior, Maria do Carmo fala com emoção sobre as lutas enfrentadas para conquistar cada bem. “Sou aposentada, mas ainda trabalho. Durante 31 anos trabalhando como servente escolar, todo o meu dinheiro foi voltado para a compra de remédios para os meus pais, principalmente a minha mãe, que vivia em uma cadeira de rodas. Faz cinco anos, com o falecimento dela [ a mãe ], que eu comecei a dedicar do meu esforço e meu salário para melhorar a condição da minha casa”, conta.

A região central de Barão de Cocais é conhecida por ter sido afetada por duas enchentes, uma na década de 70 e outra em meados de 2002. “A primeira enchente, em 1979, inundou completamente a minha casa. Já a segunda, a água tomou todo o meu quintal, mas não chegou a fazer estragos aqui dentro”, disse.

Maria do Carmo conta que não recebeu nenhuma visita da Vale para garantir a integridade do seu patrimônio e que só vai deixar a casa em caso extremo. “A gente luta tanto para conseguir as coisas. Cada cantinho da minha casa tem um pouco da minha batalha. Agora vem essa situação e a gente pensa que tudo pode ir água abaixo. É muito triste!”

Fé e oração

Católica e devota de São Sebastião, Dona Maria conta que a fé tem sido um refúgio para se sustentar diante de tanta angústia. “Eu não sei o dia de amanhã. Pode acontecer do nada [o rompimento da barragem] e a única coisa que eu posso fazer é rezar. Eu rezo todos os dias para São Sebastião proteger a minha casa”.