Organização criminosa transforma condomínios em centrais do crime
Parece história de filme, mas o caso divulgado pela Polícia Civil de Minas Gerais é real. Uma quadrilha se apossou de apartamentos de condomínios nos bairros São Marcos, PTB e Citrolândia, em Betim, na Grande Belo Horizonte, para controlar o tráfico na região e vigiar a ação da polícia. Conforme a investigação, o bando era […]
Parece história de filme, mas o caso divulgado pela Polícia Civil de Minas Gerais é real. Uma quadrilha se apossou de apartamentos de condomínios nos bairros São Marcos, PTB e Citrolândia, em Betim, na Grande Belo Horizonte, para controlar o tráfico na região e vigiar a ação da polícia. Conforme a investigação, o bando era controlado de dentro da prisão pelo traficante conhecido como Gordo. “O suspeito é multi-reincidente, com várias passagens por tráfico, e toda a ação da organização criminosa era muito violenta”, declarou o delegado Roberto Veran, por meio de nota divulgada à imprensa na noite dessa terça-feira, dia 28.
Segundo a polícia, a organização criminosa se infiltrou nos conjuntos habitacionais e foi expulsando os moradores e se apossando dos imóveis. “Os apartamentos eram escolhidos de forma estratégica para possibilitar a vigilância da ação da Polícia ou para a venda de drogas e quem morasse no lugar era expulso”, explicou o policial. Na operação realizada para desarticular o bando, a Polícia Civil desocupou mais de 40 imóveis tomados pelos traficantes.
Ainda de acordo com as investigações, pelos menos 20 homicídios registrados na cidade de Betim, no primeiro semestre de 2018, têm relação com os crimes praticados por essa organização criminosa. “Foi a observância da violência cíclica e a retirada de moradores que motivou o início de uma investigação detalhada e aprofundada que pôde detalhar toda a ação do grupo e chegar a identificação e prisão dos membros da organização criminosa”, declarou o delegado Regional de Betim, Álvaro Homero Huertas..
Atuação
Nos condomínios, o grupo conseguia monitorar tudo o que acontecia através de uma central de rádios comunicadores e, dessa forma, controlava a ocupação dos apartamentos. Essa central de rádio comunicadores foi desmontada, no último dia 17 de maio, quando foi deflagrada a operação “Ninho de Rato”, por meio da qual foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão. Ao todo, foram presos 19 integrantes do grupo.
Nas ações também foram apreendidos cerca de 20 quilos de entorpecentes, principalmente maconha, diversos rádios comunicadores, cinco submetralhadoras e outros materiais. A Polícia Civil ainda desmontou um laboratório de drogas que havia sido criado pela organização criminosa e ainda encontrou um apartamento ocupado apenas por cachorros, que também eram utilizados pelo grupo no tráfico. A estimativa é que a quadrilha movimentada entre R$ 70 mil e R$ 80 mil por semana. “Esse trabalho é uma primeira fase e não limitará a continuidade da investigação de lavagem de dinheiro e a identificação de demais autorias”, afirmou o chefe do 2° Departamento de Polícia Civil em Contagem, delegado Rodrigo Bustamante.