Entidades se unem em João Monlevade para debater a violência contra a mulher

Agressão física é maioria dentre os casos de violência contra a mulher em João Monlevade

Entidades se unem em João Monlevade para debater a violência contra a mulher
Bom público prestigiou o debate – Fotos: Cíntia Araújo/DeFato Online

O salão do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmon-Metal) foi palco de uma importante palestra na noite desta quinta-feira, 15, que teve como tema a violência contra a mulher. A ArcelorMittal Monlevade, a Rede Doctum e o sindicato são parceiros nesta iniciativa, que busca envolver a população a cerca do assunto.

Disseminar o aprendizado é importante no enfrentamento à violência, afirmou Vander Neves, da ArcelorMittal Monlevade

A mesa que conduziu a palestra foi presidida pela advogada e professora Ariete Pontes de Oliveira. Ela é idealizadora do projeto “Ciranda, Cirandinha, Vamos Todxs Cirandar”,que tem como foco o enfrentamento da violência contra a mulher. O diretor da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, José Quirino; o presidente do Sindmon-Metal, Otacílio das Neves Coelho; e o gerente de Recursos Humanos da ArcelorMittal Monlevade, Vander Ferraz Neves são os representantes das entidades parceiras do evento.

O debate teve grande adesão popular. Além de acadêmicos, moradores de bairros do entorno e representantes de outras instituições prestigiaram a palestra. Ariete Oliveira abordou as formas de violência contra a mulher, desde a física até a psicológica. Com exemplos pontuais e corriqueiros no dia-a-dia da mulher, ela especificou ainda como a Lei Maria da Penha pode ser aplicada nestes casos.

Números em João Monlevade

Ariete apresentou os dados da violência contra a mulher em Monlevade – Foto: Cíntia Araújo/DeFato Online

Especificamente sobre João Monlevade, os números apresentados são alarmantes. Em 2017, foram registrados 572 casos de violência contra a mulher. Já em 2018 foram 519 casos contabilizados. Segundo Ariete, em sua maioria os casos são de violência física. “Este números são de casos denunciados. Infelizmente pode ser muito maior caso a vítima não tenha procurado a polícia”, destacou.

Outro ponto lamentado pela advogada é a ausência de uma casa de acolhimento às mulheres vítimas de violência em João Monlevade. Para ela, este é um dos principais motivos pelo receio da vítima em denunciar. “Muitas vezes as mulheres são dependentes economicamente do homem. A falta de um local próprio para buscar o enfrentamento é de se lamentar”, declarou Ariete.

Ao final, a advogada citou que é preciso o empoderamento nesta causa. “Já temos alguns avanços, como o fato a Organização dos Advogados do Brasil (OAB) não garantir registro a homens processados pela lei Maria da Penha. Outro avanço é a tramitação de projeto que determina que homens acusados de violência doméstica não ocupem cargo público”, informou. Ao final, a advogada agradeceu os presentes e convocou a população a acolher as mulheres vítimas de violência. “Conversas, denunciar à polícia quando presenciar uma agressão são forma de acolhimento e enfrentamento. Sejamos atuantes desta forma”, reiterou Ariete.