Hoje é Dia da Doação de Órgãos no Brasil que tem 40 mil pessoas na fila por transplante

A data busca conscientizar a população em geral sobre a importância de ser doador

Hoje é Dia da Doação de Órgãos no Brasil que tem 40 mil pessoas na fila por transplante
Hospital das Clínicas, em BH, realiza ato pela doação de órgãos

O Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos é celebrado em 27 de setembro e a data é importante para uma reflexão da situação no Brasil, que ainda precisa avançar muito nesse assunto. O país tem cerca de 40 mil pessoas na fila à espera de um transplante, aguardando por uma doação de órgão, tecido ou medula.

O grande desafio é aumentar a notificação. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de cada oito potenciais doadores, apenas um caso é notificado. Enquanto em países como Espanha – referência mundial quando o assunto é transplante –, são registrados perto de 40 transplantes por milhão de população (pmp), no Brasil essa taxa está próxima de 15 por milhão.

O Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), veículo Oficial da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, relata que 2019 começou difícil, embora no primeiro trimestre tenha havido um pequeno aumento de 0,8% na taxa de potenciais doadores, tendo atingido 52,3 por milhão de população (pmp). Houve queda de 2,1% na taxa de efetivação, caindo de 32,8% para 32,1%, o que resultou na diminuição em 1,2%  na taxa de doadores efetivos (16,8 pmp). O RBT constata que esse resultado de janeiro a março praticamente inviabiliza a obtenção da meta prevista  para 2019, de 20 doadores pmp.

Estatísticas

O RBT aponta ainda que, se comparado o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o número de transplantes de órgãos no Brasil cresceu 6,7%, passando de 1.997 para 2.131. Também aumentaram os transplantes de medula óssea. Foram 742 no primeiro trimestre de 2019 contra 640 no mesmo período do ano passado, um acréscimo de 15,9%. Já os transplantes de córneas apresentaram queda. De janeiro a março deste ano, foram 3.400 transplantes de córneas, 8,8% a menos que os 3.728 realizados no ano passado.

Transplantes no Brasil no primeiro trimestre deste ano
Transplantes no Brasil no primeiro trimestre de 2018

 

Um destaque do Brasil é que o país é referência mundial na área de transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Conforme o Ministério da Saúde, atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA. Os pacientes recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante, pela rede pública de saúde. O site do Ministério da Saúde traz várias informações sobre doação de órgãos no país. 

O laço verde é o símbolo da campanha “Setembro Verde”, referente à doação de órgãos

MG Transplantes

Para marcar a luta pela doação de órgãos, várias ações são feitas no “Setembro Verde”. O Hospital das Clínicas da UFMG, por exemplo, realizou em Belo Horizonte, no último dia 21, um ato para celebrar a data. Durante a caminhada, vários balões verdes foram soltos. O principal objetivo desta data, conforme ressalta a ABTO é conscientizar a população em geral sobre a importância de ser doador de órgãos. Em Minas, conforme divulgado pela UFMG, entre janeiro e agosto deste ano, 1.497 transplantes foram realizados no estado, segundo dados do MG Transplantes. Mesmo assim, 4.077 pessoas estão na fila de espera por um órgão. No Hospital das Clínicas, uma instituição 100% SUS, são realizados transplantes de fígado, coração, medula óssea, rim e córnea.

Em Minas Gerais, o MG Transplantes é responsável por coordenar a política de transplante de órgãos e tecidos no Estado, regulando o processo de notificação, doação, distribuição e logística, avaliando resultados e capacitando hospitais e profissionais afins na atividade de transplante. A instituição é composta por seis Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) distribuídas nas seguintes regiões: Metropolitana de Belo Horizonte, Leste (Governador Valadares), Nordeste (Montes Claros), Oeste (Uberlândia), Sul (Pouso Alegre) e Zona da Mata (Juiz de Fora).

Como ser doador de órgãos?

  • De acordo com a legislação brasileira (lei nº 10.211, de 23 de março de 2001), a retirada dos órgãos e tecidos para doação só pode ser feita após autorização dos membros da família.
  • Para a doação, o doador deve ter sofrido de morte encefálica, pois somente assim os seus principais órgãos vitais permanecerão aptos para serem transplantados para outra pessoa.
  • Pessoas vivas também podem ser doadoras de órgãos, mas apenas aqueles que são considerados “duplos”, ou seja, que não prejudicarão as aptidões vitais do doador após o transplante.
  • Um dos rins ou pulmões, parte do fígado, do pâncreas e da medula óssea são exemplos de órgãos que podem ser doados por pessoas ainda em vida.