Finanças e dívidas do hospital geram polêmica em João Monlevade
Vereadores, Conselho Municipal de Saúde, Prefeitura e provedoria debatem questão
A situação do Hospital Margarida pautou a reunião ordinária da Câmara Municipal de João Monlevade ocorrida na quarta-feira, 9. A polêmica foi tão grande que nesta quinta-feira, 10, novo encontro entre representantes do hospital, da Prefeitura, do Conselho Municipal de Saúde e de vereadores aconteceu na sede do Legislativo.

Durante a reunião ordinária, Belmar Diniz (PT) usou a tribuna para questionar diferenças de valores com relação aos repasses devido pelo Governo do Estado ao Hospital Margarida. Segundo Belmar, durante reunião do Conselho Municipal, uma servidora pública da Prefeitura afirmou que o Governo do Estado estava em dia com a casa de saúde, fato veementemente negado pelo provedor, José Roberto Fernandes. “Ontem, uma funcionária disse claramente durante reunião do Conselho de Saúde que o Estado não está atrasado com o município. Isso é gravíssimo, é caso de CPI, de investigar”, disse Belmar.
A fala de Belmar Diniz ganhou repercussão e foi pauta de reunião na manhã desta quinta-feira, na sede do Legislativo. O presidente da Comissão de Saúde, Toninho Eletricista (PHS), convocou vereadores, provedoria do hospital e Prefeitura a fim de esclarecer os fatos. Como o encontro foi repentino, nem todos os vereadores puderam participar.
José Roberto Fernandes apresentou nova planilha de valores a receber pelo hospital. Segundo ele, o Governo do Estado está em dívida sim com o Margarida, com repasses atrasados desde 2016. O montante em atraso seria R$5.494.419,40. Já o Governo Federal soma dívida de R$763.096,00.O O provedor ainda pediu que se pare de criar polêmicas com o nome do Hospital Margarida. “Estamos tentando buscar apoio nas cidades vizinhas. Com tanta polêmica desnecessária, pode ser criado um clima de dúvidas sobre aqueles que querem no apoiar financeiramente. É um absurdo termos que largar nosso trabalhos por falas de mariquinhas”, destacou.

A servidora Sirlene de Freitas, citada por Belmar Diniz, também se pronunciou. Ela disse que sempre se baseia nas resoluções do Estado, que constam no fluxo do sistema. “As contas apresentadas no conselho são referentes a 2019. O Estado tem dívidas anteriores com o Hospital Margarida”, justificou. Ela ainda confirmou que a planilha apresentada pelo hospital está correta e que há resoluções não pagas ao hospital pelo Estado também no ano de 2019, e esses recursos não chegaram à Prefeitura, por esta razão não foram repassados ao hospital.
Leles Pontes (Republicanos) e Sinval Dias (PSDB) se pronunciaram favoráveis ao hospital. Toninho Eletricista também, destacando a importância da casa de saúde.
Hospital pauta reunião ordinária
A fala de Belmar sobre criação de CPI pautou a reunião ordinária. Sinval Dias (PSDB), que é líder do Governo na Câmara, acusou o petista de mentiroso. Já Toninho Eletricista (PHS), pediu que se pare de fazer politicagem com o hospital. “Inferno que se faz em Monlevade com isso. Chega de fazer politicagem e vamos trabalhar para o cidadão”, pediu em sua fala.
Vanderlei Miranda (PL) destacou que muitas emendas parlamentares indicadas por deputados não chegaram ao Margarida. Para o vereador Djalma Bastos (PSD), o que falta é transparência e diálogo aberto com relação à casa de saúde. Pastor Carlinhos (MDB) reiterou sua opinião de que o que fazem com relação ao Margarida é politicagem e Gentil Bicalho (PT) repudiou o envio de nota de repúdio por parte de José Roberto ao vereador Guilherme Nasser (PSDB). Para ele, o documento é um desrespeito para com todos os vereadores.
Vereador se posiciona

Guilherme Nasser foi o autor da denúncia de que os médicos não estavam recebendo valor de produção por atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS). A justificativa apresentada pelo hospital, via nota de repúdio, é de que foi priorizada a compra de medicamentos e suprimentos, por isso o não pagamento. Ainda em nota, José Roberto acusa o Guilherme de fazer politicagem com a situação.
O vereador destacou que vê no provedor do hospital destempero e descontrole. “Mas entendo, porque ele comanda um hospital e o dinheiro está escasso. Respeito por fazer trabalho voluntário, mas não menti em minha fala. O último pagamento de produção aos médicos foi em fevereiro. Os números não mentem”, destacou. Por fim, ele colocou-se à disposição para ajudar.
Vereador ataca jornalistas: “maldosos”
Durante a reunião desta quinta-feira, o vereador Cláudio Cebolinha (PTB) voltou-se contra a imprensa que cobre o Legislativo monlevadense, inclusive desferindo ataques verbais contra dois jornalistas (entre eles a reportagem de DeFato Online), a quem chamou de “maldosos”. A imprensa participou da reunião a convite do próprio provedor José Roberto. Segundo ele, “o trabalho desempenhado pelos jornalistas é muito importante”, declarou.




