Não é só impressão: dados oficiais mostram economia em crescimento em Itabira

Com data para a exploração de minério acabar: 2028, restam nove anos para que as autoridades locais, políticas e empresariais alcancem a tão sonhada diversificação econômica

Não é só impressão: dados oficiais mostram economia em crescimento em Itabira
Distrito Industrial de Itabira será impactado positivamente com o futuro Parque Científico Tecnológico – Imagem Reprodução Youtube Adrone
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Cidade do minério de ferro, Itabira tem uma importante data para nortear todas as suas próximas ações em busca do desenvolvimento econômico. Maior empregadora da cidade e principal geradora de riquezas, a Vale já avisou, mais de uma vez, que suas minas no município chegam ao fim em 2028. Restam nove anos para que as autoridades locais, políticas e empresariais alcancem a tão sonhada diversificação e estimulem o crescimento de outros setores.

Nos últimos meses, informações de investimentos chamaram a atenção dos itabiranos. Grandes redes, especialmente na área supermercadista, anunciaram que chegariam ao município com números expressivos. Gigantes como o Mart Minas, Villefort e Epa são realidade na cidade. No setor da construção civil, empreendimentos públicos e privados também ganharam os noticiários. A impressão de reaquecimento da economia ficou nítida, e isso é comprovado por dados oficiais.

EMPREGOS

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Governo Federal, mostra que, entre janeiro e agosto deste ano, foram criados 1.313 novos postos de trabalho em Itabira. A diferença é de 280% para o mesmo período no ano anterior, quando o saldo positivo foi de 345. E mais: é o melhor resultado para esse recorte temporal desde 2012, quando o município vivia o auge do boom da mineração. Em 2012, nos primeiros oito meses do ano, Itabira havia criado 3.745 novas vagas de emprego. Desde então, com a crise que atingiu fortemente o setor extrativista mineral, a cidade viu encolher sua economia, com as demissões sempre superando as contratações. Cenário que só se reverteu no ano passado e que ganhou novo fôlego em 2019.

Prefeitura foca em Parque Científico Tecnológico

Itabira possui hoje 9.248 empresas registradas, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. A pasta trabalha para tornar este número mais robusto, com criação de novas áreas para instalação de empreendimentos. A própria Prefeitura irá gerar 400 novos empregos com a realização de concurso público. As inscrições começam em dezembro. Mas a meta principal é o desenvolvimento de um Parque Científico Tecnológico, impulsionado pelo campus local da Universidade Federal de Itajubá (Unifei).

O projeto já existe e depende de verba para sair do papel. O Distrito Industrial de Itabira atualmente abriga 44 empresas. Ainda há empreendimentos instalados no distrito (11) e na incubadora (6) do bairro Fênix. Esses três locais são responsáveis pela geração de 2.521 empregos diretos, segundo a secretaria responsável. Somente nos últimos dois anos, com novas regras de concessões adotadas pelo governo atual, pelo menos 15 novas áreas foram ocupadas nos dois distritos industriais.

“Cenário positivo do comércio é notório”, diz Acita

O empresário e diretor da Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita), Eugênio Müller, diz que o cenário positivo para o comércio é notório desde 2018, com a abertura de novas empresas, de pequeno e grande porte, além da chegada de grupos robustos, como MartMinas, VilleFort e Epa.
“Todos os municípios mineradores têm características comuns em relação à grande dependência da monoatividade econômica predominante, o que marca significativamente a comunidade local. Em Itabira há uma nova economia nascendo, com empreendimentos que não fazem parte da cadeia produtiva da mineração, especialmente nos setores de comércio e serviços”, afirma Eugênio Müller

SAÚDE E EDUCAÇÃO

Ainda, o diretor da Acita Itabira destaca que o contexto de investimentos em Itabira também ganhou forças nos segmentos da educação e saúde, com a chegada das novas faculdades e do Centro Oncológico do Hospital Nossa Senhora das Dores. Para Eugênio Müller, os ativos culturais e naturais em abundância e a grande extensão territorial rural, com aptidão agropecuária, também enriquecem as possibilidades de crescimento, “Nosso ecossistema de inovação é referência e somos detentores de um diferencial competitivo único no mundo como terra natal de Carlos Drummond de Andrade”, diz.

Construção civil é o setor que mais contrata

O setor que puxa para cima o número de admissões em Itabira é a construção civil. Avenidas e apartamentos populares construídos pela administração municipal e empreendimentos da iniciativa privada geraram 535 novos postos de trabalho na cidade. Serviços, com 433 vagas criadas, e Indústria e Transformação, com 332, aparecem logo em seguida, de acordo com o Caged. Até mesmo o Comércio, que sofreu nos últimos anos com a diminuição do poder de compra do itabirano, contratou mais do que demitiu até aqui em 2019: saldo positivo de 29 vagas.

O governo municipal avalia que a confiança dos investidores está relacionada a esforços para que a diversificação econômica aconteça. “A cidade vive um novo momento. Todas as ações buscam transformar o município em uma nova Itabira. Essas ações da iniciativa privada não acontecem por acaso. O empresário faz estudos, eles sabem onde estão investindo e o que estão fazendo. Itabira não vai parar, mesmo que chegue ao fim a mineração”, afirmou a Prefeitura, por meio de sua Assessoria de Comunicação.

Reportagem publicada na edição nº 64, do jornal DeFato Cidades Mineradoras