Brasileirão 2019: roteiro cumprido
Cruzeiro faz mais um jogo paupérrimo na atuação final do roteiro do rebaixamento. Atlético cumpre (mal) tabela com reservas.
Terminou o Campeonato Brasileiro de 2019 e ficou um gosto amargo para o futebol mineiro. Especialmente para o Cruzeiro, que cumpriu o roteiro da queda e jogará a Série B pela primeira vez na história. Para o Atlético, além da lógica satisfação de ver o rival rebaixado, ficam lições que deverão ser aprendidas para o ano que vem.
CRUZEIRO 0X2 PALMEIRAS
A cartilha do rebaixamento foi devidamente seguida. O capítulo final não poderia e não deu qualquer demonstração de que seria diferente: um Cruzeiro nervoso, errando, mas, principalmente, desde o início, demonstrando a incapacidade de fazer um gol, ou minimamente combinar uma jogada para isso.
Foi mais do que suficiente para o Palmeiras ser um pouco melhor. Não vale a pena, não muda nada e não há elementos para análise mais elaborada sobre o que foi o jogo propriamente dito.

Nesta caminhada rumo ao primeiro rebaixamento, a campanha do Cruzeiro tem alguns nomes e sobrenomes:
Mano Menezes, o elenco do Cruzeiro só foi melhorado para o início da temporada. Não sofreu baixas, manteve, até então, os principais jogadores e ganhou peças para jogar um futebol minimamente mais ofensivo, propositivo. Pela incapacidade de evoluir com um elenco evoluído, você é culpado.
Sérgio Nonato, por suas questionáveis participações em fechar acordos com patrocinadores ganhando também questionáveis comissões, você é culpado.
Itair Machado, por toda a irresponsabilidade administrativa, pelos discursos populistas, pela condução nefasta do futebol do clube, por, inexplicavelmente, aumentar o próprio salário, por preferir os medalhões, por demitir Rogério Ceni, por contratar Abel Braga, você é culpado.
Wagner Pires de Sá, por ser o presidente fantoche, omisso, fraco, permissivo e pela incapacidade em concatenar palavras para dar uma entrevista coletiva minimamente convincente e esclarecedora, você é culpado.
Zezé Perrella, por ser, durante a gestão Vagner Pires, o presidente do conselho deliberativo do Cruzeiro e, estranhamente, só agora aparecer para criticar a atual diretoria e, portanto, por ser apenas mais uma parte da corja, você é culpado.
Torcedor do Cruzeiro que tem um complexo de perseguição, que considera que o jornalista que faz denúncias de irregularidades não passa de um atleticano ou “anti”, ou do “eixo”, que idolatra dirigentes, você é conivente.
A bola não entra por acaso. Não deixa de entrar, também. Não há como falar que o rebaixamento não foi merecido. Vergonha do início ao fim. O rebaixamento moral já havia acontecido, o matemático veio só pra ir ao encontro de quem, no topo do comando do clube, estampa páginas policiais ao invés das esportivas.

INTERNACIONAL 2X1 ATLÉTICO
O Atlético entrou em campo para cumprir tabela, escalado com apenas Franco Di Santo e Zé Welison de titulares. O gol de Otero foi surpreendente e, de fato, o único melhor momento do alvinegro na partida.
Um jogo tecnicamente ruim, com Victor sendo o personagem positivo, fazendo boas defesas e impedindo que o placar negativo fosse construído mais cedo pelo Internacional. Com o Galo desligado, desentrosado e, convenhamos, sem a menor preocupação com o resultado, veio a anunciada virada na segunda etapa.

É óbvio dizer que, para o atleticano, interessava mais o que acontecia no Mineirão do que poderia acontecer no Beira-Rio. É totalmente compreensível que, para o momento, o fracasso do rival é o motivo da comemoração.
Mas que, por méritos do próprio clube, o atleticano tenha o que comemorar em 2020. Jogo de time reserva raramente oferece uma análise mais embasada, coerente. A não ser que identifiquemos aqueles que não servem nem para serem reservas. Ou o treinador em questão que, nem para o time reserva, merece continuidade. E não está difícil enxergar as duas situações.

Por Leandro Colombo, graduando em Jornalismo, comentarista esportivo da Rádio Itabira AM 770
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