O atleticano e o cruzeirense no carnaval

Torcedores refletem sobre o que seus times precisam para pôr de vez o bloco na rua

O atleticano e o cruzeirense no carnaval
Divulgação/Atlético-MG/Cruzeiro

É carnaval. E raramente se tem tempo ou interesse pra saber de qualquer outra coisa não relacionada à folia. Mas, haverá sempre o mais fanático pelo futebol que, num intervalo de um bloco pra outro, ou de uma marchinha pra outra, poderá perguntar, para o amigo rival: e o seu time, hein?

Na folia, o atleticano é o folião que vai pra rua, ainda procurando saber como a banda toca, tentando entender o ritmo pra poder se soltar. O cruzeirense é o folião nostálgico, que sai de casa e se assusta com o que vê, consciente de que os outros tempos, indubitavelmente melhores, por ora, não voltam mais.

Perguntado pelo cruzeirense sobre a situação do Galo, o atleticano franzi a testa. Começa dizendo que venceu o Unión, mas não o suficiente para vencer no placar agregado. Alerta que a situação no Mineiro não é das melhores, e nem compatível com o elenco que foi montado. Preocupado, conta que a classificação para a Copa do Brasil veio – pelo regulamento – depois de um 0 a 0 com o fraquíssimo Campinense.

O torcedor cruzeirense ameaça a abrir um sádico sorriso. Isso até ser perguntado pelo atleticano como vai a Raposa. O cruzeirense toma um gole, respira fundo e desabafa. Inicia explicando que é muito estranho ver no que a equipe se transformou. Irritado, xinga os dirigentes de tudo quanto é nome, atribuindo a maior parte da situação crítica aos antigos mandatários. Mas em seguida assume que não é só isso. Questiona a contratação de peças como Roberson. Hesita para afirmar se o time é isso mesmo ou se Adilson Batista pode entregar um pouco mais. Por fim, admite que a primeira derrota na temporada até demorou a acontecer. Afirma que ainda se classifica para a fase final do Mineiro, que vai na Copa do Brasil até enfrentar uma equipe melhor e sugere, desde já, contratações para a Série B.

A conversa fica pesada. Os dois se perguntam se não há motivos para comemorar, pelo menos, num futuro próximo. O cruzeirense, agora com um sorriso proveniente do próprio mérito, conta que Marcelo Moreno chegou. Cauteloso para elogiar dirigentes, diz que os que lá estão parecem respeitar mais a instituição. Aliviado, faz um adendo, de que ainda há tempo para evoluir até a Série B.

O atleticano rebate Moreno com Diego Tardelli. Aponta que o treinador, estrangeiro, demorou para dar uma resposta, mas admite enxergar uma evolução nos dois últimos jogos. Se diz cansado de ver três treinadores diferentes por temporada e espera o elenco inteiro à disposição para criticar com mais fundamento.

Depois do intervalo, decidem, por ora, parar de discutir sobre um assunto que os preocupa. “Vamos beber pra esquecer!”, dizem os dois simultaneamente. A festa volta, com o barulho e a agitação características. Decidem esquecer de vez os dois times, mas isso até se darem conta de que, em pleno carnaval, estão com a camisa do clube do coração. Já se perguntam quando é o próximo jogo.

Boa folia a todos!

Leandro Colombo

Leandro Colombo é graduando em Jornalismo, comentarista esportivo da Rádio Itabira AM 770 e estagiário no Grupo DeFato
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