Reviravolta: mãe de garoto dado como desaparecido é presa em Belo Horizonte
Mulher é acusada de maltratar os filhos e de manter o próprio pai idoso em cárcere privado em um apartamento em Belo Horizonte
No início de maio, DeFato Online repercutiu a busca de familiares por um garoto de 13 anos que era dado como desaparecido. O jovem foi encontrado no dia seguinte à divulgação da matéria. Ele já estava com o pai, em Itabira. Chegou-se até mesmo a especular que a ocorrência teria ligação com um jogo de computador. Cerca de duas semanas após o desenrolar dos fatos, porém, o caso ganha uma reviravolta. A mãe do garoto foi presa em Belo Horizonte na última quinta-feira (14), acusada de maltratar o jovem e o irmão mais novo dele, de 9 anos, e de manter o próprio pai, idoso, em cárcere privado. A prisão em flagrante aconteceu após a mãe e uma irmã da suspeita acionarem a polícia.
De acordo com as informações descritas no processo judicial que culminou na prisão da mulher, A.C.L.M. estaria mantendo o pai preso em seu apartamento em Belo Horizonte desde meados de abril, juntamente com os dois filhos. O garoto mais velho, aquele que chegou a ser dado como desaparecido, fugiu da casa da mãe no primeiro fim de semana de maio. Ele foi para Bom Jesus do Amparo depois acionar um motorista através de um aplicativo de transporte. Ao chegar na cidade, avisou a avó que havia chegado na casa de sua tia. Depois disso, o garoto foi acolhido na residência do pai, em Itabira. O outro filho da suspeita, de 9 anos, permaneceu no apartamento em BH, junto com o avô.
Processo
Sem conseguir contato com o marido e os netos, a mãe e a irmã de A.C.L.M. acionaram a polícia. No apartamento na capital, os militares prenderam a mulher em flagrante por cárcere privado. Conforme o boletim de ocorrência da PM, o pai da suspeita estava com hematomas pelo corpo, provocados por um estrangulamento que disse ter sido causado pela filha dois dias antes da prisão. Além disso, segundo relato policial, A.C.L.M. também agrediu verbalmente o idoso, chamando-o de vagabundo e outros xingamentos. A suspeita chegou a estragar o telefone celular do pai para evitar que ele pedisse ajuda.
De acordo com o depoimento do pai de A.C.L.M. à Justiça, a mulher também se exaltava com frequência com os filhos, “brigando com eles e os agredindo por qualquer motivo, por mais banal que fosse, como deixar panelas sem lavar ou desobedecer alguma ordem”. O idoso ainda relatou que até tentou fugir da própria filha em uma oportunidade em que os dois saíram para fazer compras no supermercado. Contudo, ao perceber a atitude do pai, a suspeita fez com que ele retornasse ao apartamento com ela. Além disso, o pai de A.C.L.M. contou à polícia que ela o levou ao banco para sacar o dinheiro da aposentadoria e ficou com os R$ 1.500,00 que pertencia a ele. Em depoimento, o idoso cita que chegou a pedir à filha “ao menos R$ 50”, mas que teve o pedido negado.
Prisão preventiva
De acordo com as informações apesar de a mulher ter a guarda das crianças, os filhos de A.C.L.M. moravam em Bom Jesus do Amparo, com os avós maternos. Ela, então, teria entrado em contato com os pais no dia 13 de abril pedindo para buscar o garoto caçula. Dias depois, a mulher solicitou que o pai e a mãe levassem o segundo filho para seu apartamento em BH. Os avós foram com a criança, mas devido à necessidade de fazer um exame médico, a mãe da suspeita precisou voltar para Bom Jesus do Amparo nos dias seguintes e deixou o marido e os netos com a filha.
A partir daí, se desenrolaram os fatos narrados pelo idoso à Polícia Militar. Consta no Tribunal de Justiça de Minas Gerais mais dois processos contra a mulher investigada, ambos por maus tratos aos dois filhos dela, abertos após a prisão em flagrante na capital.
Decisão assinada pela juíza auxiliar Juliana Miranda Pagano, da comarca de Belo Horizonte, converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, recusando o pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa da acusada. Advogados de A.C.L.M. ainda tentaram argumentar que a mulher está em grupo de risco para a Covid-19, por ser diabética, mas não foi o suficiente para convencer a juíza. A magistrada afirmou que não houve comprovação efetiva desse cenário e determinou que a “autoridade custodiante forneça à autuada a medicação necessária”.
A reportagem de DeFato Online não obteve contatos com os advogados de defesa de A.C.L.M.




