Vereadores questionam destinação de R$ 1 milhão recebido por Monlevade para ações contra a Covid-19

Gastos com grades para cercar praças é alvo de denúncia contra a Prefeitura no Ministério Público. Vereador questionou ainda valor investido na compra de máscaras

Vereadores questionam destinação de R$ 1 milhão recebido por Monlevade para ações contra a Covid-19
Vereadores acompanharam prestação de contas da Prefeitura – Foto: Cíntia Araújo/DeFato

A Prefeitura de João Monlevade recebeu do Governo Federal o montante de R$1.194.137,02 para ações de combate à pandemia do novo coronavírus. O valor foi informado durante a audiência pública de prestação de contas do primeiro quadrimestre, que ocorre na manhã desta quinta (28), na Câmara de Vereadores. A verba tem destinação exclusiva.

A reportagem da DeFato Online questionou em que ações específicas foram investidos tal valor e qual o planejamento feito a partir do recebimento da verba. Apesar da audiência pública ser referente à prestação de contas, o secretário de Fazenda, Thiago Duarte, declarou que não era o momento para esse esclarecimento em específico.

O vereador Pastor Carlinhos (PL) reforçou o questionamento da reportagem. Segundo ele, como o relatório apresentado pela Prefeitura aponta que já foram gastos R$ 47 mil, era preciso, sim, prestar contas. Assim, o assessor contábil da Prefeitura, Adilson Carlos, informou que foram investidos na aquisição de máscaras. O assessor reforçou ainda que no Portal Transparência já consta o empenho de cerca de R$850 mil do valor citado.

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Secretário de Fazenda de Monlevade, Thiago Duarte – Foto: Cíntia Araújo/DeFato

Detalhamento

O presidente da comissão de Finanças e Orçamentos, Guilherme Nasser (MDB) reforçou que encaminhou à Prefeitura pedido de detalhamento do que foi investido referente à Covid-19.

Um dos investimentos feitos, que é referente ao aluguel de grades para cercar as praças da cidade a fim de se evitar aglomeração, foi de R$202,5 mil. O contrato foi feito sem licitação, devido ao decreto de calamidade pública. O valor chama a atenção e é alvo de denúncia no Ministério Público. Conforme denúncia do advogado Gleidson Caetano, o aluguel de cada grade é de R$139,00. Assim, segundo ele, a Prefeitura poderia comprar 1450 grades. Importante destacar que o Executivo monlevadense alugou 675 grades pelo período de seis meses, pelo valor unitário mensal de R$50,00.

Assessor contábil da Prefeitura, Adilson Carlos – Foto: Cíntia Araújo/DeFato

Outro gasto polêmico foi levantado por Guilherme Nasser. Desta vez é referente ao gasto com as máscaras faciais. Nasser declarou ter “indício de irregularidade” na cotação feita pela Prefeitura. Isso porque ele afirma ter apreçado valores menores do que o apontado pelo Executivo e ainda, duas empresas de um mesmo grupo empresarial apresentaram valores diferentes ao Executivo.