Projeto Guapiaçu lança trilha virtual na Semana do Meio Ambiente
Objetivo é não interromper trabalho de educação ambiental
Dia do Meio Ambiente 2020. Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o Projeto Guapiaçu, iniciativa da Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua), situada no município de Cachoeiras de Macacu, na região metropolitana do Rio de Janeiro, decidiu aproveitar a Semana do Meio Ambiente para lançar uma trilha virtual, dedicada a estudantes e a amantes da natureza. O passeio virtual foi a forma encontrada pelo projeto de não interromper o trabalho de educação ambiental realizado há muitos anos com alunos da rede pública de ensino da região sobre a Mata Atlântica, disse à Agência Brasil a coordenadora executiva do projeto, Gabriela Viana. Hoje (5) é o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Conheça
Com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e apoio das prefeituras de Cachoeiras de Macacu e Itaboraí, o projeto já atingiu mais de 26 mil pessoas com atividades de educação ambiental, incluindo visitas, seminários e cursos, sendo 10 mil estudantes, e restaurou 160 hectares de áreas degradadas, com o plantio de 300 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica.
A iniciativa da trilha virtual permite que as pessoas interessadas, sem sair de casa, aproveitem o isolamento social para percorrer a trilha Grande Vida, primeira da região com acessibilidade para cadeirantes e pessoas com deficiência visual. A trilha tem 1.400 metros e recebeu placas interpretativas com conteúdo de educação ambiental, como formação do solo, biodiversidade, espécies da Mata Atlântica, ciclo hidrológico. “A cada ano fazemos uma melhoria, com o objetivo de oferecer aos estudantes, principalmente das redes públicas municipais e estaduais, uma vivência em uma área de Mata Atlântica”.
Educação lúdica
Gabriela destacou que embora a maioria desses estudantes viva na área rural, não tem o hábito de fazer uma trilha e de receber esse conteúdo de forma lúdica. “Esse é o objetivo da trilha”. O projeto continua agora ampliando a ação para atender a alunos do município de Itaboraí. Como a pandemia impediu os dirigentes do projeto de receber fisicamente esses estudantes, a opção foi criar uma trilha virtual que permita aos jovens, mesmo em casa, terem contato com a natureza.
Dessa forma, o tour (visita) virtual oferece imagens de alta resolução, com narração de todo o conteúdo e sons da natureza para que os jovens tenham esse contato com a Mata Atlântica e, inclusive, se sintam estimulados a, após o retorno à normalidade, fazer a visita ao vivo, sentindo o cheiro do mato, ouvindo os pássaros e conhecendo o que existe na trilha e em toda a reserva, disse a coordenadora. Assim, lembrou que, em momentos de isolamento, especialmente nas cidades, educadores observam que a falta de contato com a natureza pode criar mais ansiedade, principalmente entre os jovens.
Ganhos de escala
Ademais, Gabriela disse que com o patrocínio da Petrobras, o Projeto Guapiaçu ganhou escala. Ele pôde oferecer aos alunos da rede pública de ensino oportunidade de lazer e passeios. “Em tudo que a Regua fazia em termos de restauração florestal e educação ambiental houve um ganho de escala. Nós ampliamos muitas áreas de restauração e também as atividades de educação ambiental. As melhorias na trilha foram decorrentes desse patrocínio”. Foi aumentada ainda a capacidade de receber mais alunos. Atualmente, a reserva trabalha desde a educação infantil até o ensino médio. “É um programa integrado”.
Para as crianças mais novas, a estratégia envolve trabalhar com personagens, entre eles um casal de antas, animais cuja reintrodução na natureza é feita pela reserva, em parceria com o Instituto de Educação Federal e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Portanto, Gabriela afirmou que há mais de 100 anos não era feita reintrodução de antas na floresta. A educação para essa faixa etária é feita por meio de jogos interativos de tabuleiro que, devido à covid-19, são colocados no site do projeto, envolvendo contação de história sobre a importância da natureza para a vida das criaturas de todas as espécies.
Idade
A partir de 7 anos, as crianças são recebidas na trilha. Para os mais velhos, que estão cursando o ensino médio, foi estabelecido um programa de monitoramento dos recursos hídricos. O programa funciona como ferramenta de educação ambiental. Foram selecionados agora mais de 50 estudantes da rede pública que receberiam capacitação dentro da reserva.
Portanto, com a pandemia, foi criada uma plataforma de capacitação virtual. Durante 24 meses, eles vão acompanhar os técnicos da Regua coletando água em 12 pontos dos rios Macacu, Guapiaçu e Caceribu, que passam por análise físico-química e biológica. “É uma forma de sensibilização dos estudantes sobre a importância de cuidar dos recursos hídricos”. Gabriela lembrou que atualmente a equipe da reserva conta com duas educadoras ambientais que foram capacitadas pelo projeto.
Dentro da floresta
A coordenadora disse ainda que quando os estudantes entram na trilha se sentem como em uma grande floresta. Lembrou, no entanto, que a área foi reflorestada há apenas15 anos. “É a primeira área que foi reflorestada pela Regua, justamente para dar a mensagem de que o homem não é só capaz de destruir. O homem é capaz de construir também, de recuperar o meio ambiente”.
Além disso, a trilha virtual em 360 graus tem duração média de 25 minutos. Na presencial, gasta-se cerca de uma hora para percorrer toda a trilha. Para acessá-la, a pessoa deve entrar no site do projeto, se cadastrar e iniciar o passeio. Gabriela Viana afirmou que o cadastro é importante para que a reserva possa entrar em contato depois com as pessoas. E assim, ver se há interesse de fazer também visitas presenciais após o fim da pandemia.
Em sua terceira fase, iniciada este ano, o Projeto Guapiaçu pretende reflorestar mais 100 hectares, ou o equivalente a cerca de 100 campos de futebol, com 130 mil mudas produzidas no viveiro da reserva, em sua maioria plantadas com sementes coletadas na região. A reserva conta hoje com 32 pessoas entre veterinários, biólogos, geógrafos, guias florestais, pedagogas, historiadores e reflorestadores.
Dessa forma, a Reserva Ecológica de Guapiaçu (Regua) é uma organização não governamental (ONG). Lá tem mais de 16 anos, situada na sub-bacia do Rio Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu. O principal objetivo é proteger a Mata Atlântica e sua biodiversidade do desmatamento, da caça e da exploração predatória de recursos naturais. A proposta inclui ainda restaurar habitats nativos, reintroduzir espécies extintas, inventariar a biodiversidade local e fazer um trabalho de educação ambiental com a comunidade.
*Agência Brasil




