Ao contrário dos números absolutos, mortes de Covid por milhão de habitantes deixam Brasil em 13º lugar no mundo

Ranking mundial: dados relativos apontam que à frente do Brasil em número de mortes estão países como Equador, Canadá, Suíça, Estados Unidos, França, Itália, Espanha e Reino Unido

Ao contrário dos números absolutos, mortes de Covid por milhão de habitantes deixam Brasil em 13º lugar no mundo
Coronavírus no mundo – Foto: Google

O avanço do novo coronavírus ganhou status de pandemia em março deste ano e tem alterado profundamente a realidade nos países ao redor do mundo. Ásia e Europa já dão sinais de terem passado pelo pico da curva de contaminação, enquanto outros locais, como Brasil e Estados Unidos, ainda enfrentam os duros números da Covid-19. Países com vasta extensão territorial e grandes populações e que tendem a apresentar índices também volumosos relacionados à doença.

Na relação de mortes por milhões de habitantes, o Brasil é o 13º no ranking de letalidade da Covid-19, segundo dados apurados em 5 de junho. Com 212,5 milhões de habitantes, o país registra 34.072 mortes, de acordo com o boletim mais recente do Ministério da Saúde, resultando em um índice de 160 mortes por milhão de habitantes.

À frente do Brasil no ranking de letalidade por milhão de habitantes estão países como Equador, Canadá, Suíça, Estados Unidos, França, Itália, Espanha e Reino Unido. A líder da indesejável lista é a Bélgica. Com 11,5 milhões de habitantes, o pequeno país europeu registra 9.566 mortes até o dia 5, o que resulta em uma relação de 856 mortes por milhão de habitantes.

Veja tabela:

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Ranking de mortes da Covid-19 por milhão de habitantes – Arte: Gazeta do Povo – Fonte: Johns Hopkins University

A análise dos números relativos, levando em consideração a população de cada país, é defendida pela economista Rita Mundim, colunista de DeFato Online. Para ela, a comparação da letalidade do coronavírus entre as nações só será bem sucedida se o tamanho das populações for levado em conta.

“Você não pode comparar como a doença se comportou na Itália e no Brasil pelo número absoluto de mortos. É necessário que você faça uma análise do número de mortos em relação à população do país. Aí, sim, a gente vai ter um coeficiente que vai indicar que, em relação à população total, houve mais mortes na Itália do que no Brasil”, analisa a economista.

Por essa ótica, por exemplo, a China, primeiro país onde o novo coronavírus se manifestou, com seus quase 1 bilhão e meio de habitantes, aparece apenas na 104º colocação no ranking de mortes, mesmo com 4,6 mil óbitos registrados. O índice é de 3 mortes por milhão de habitantes, resultado idêntico à da Jamaica, que tem 2,9 milhões de pessoas e registrou 10 mortes pela Covid-19.

“É preciso ter muito cuidado com os números absolutos. Os números absolutos não dizem nada. O número só é capaz de nos dizer alguma coisa, de servir como estatística e como base de planejamento, se houver um critério de comparação. Aí, sim, a gente pode ter um norte e pode, sim, comparar o comportamento do vírus no Brasil com outros países, ou o comportamento do vírus em Belo Horizonte com Itabira, por exemplo. Muito cuidado com aquilo que é absoluto e com aquilo que é relativo”, completa Rita Mundim.