Secretária critica aglomerações em Itabira e cita cidades que voltaram às restrições: “É o que querem?”
De acordo com Rosana Linhares, Secretaria de Saúde monitora todos os dias o cenário da pandemia no município e, pelo menos por ora, ainda não viu necessidade de fechar setores da economia
A secretária municipal de Saúde, Rosana Linhares, subiu o tom nesta terça-feira (9) contra as aglomerações registradas em diversos pontos de Itabira, sobretudo na região central. Durante entrevista coletiva no auditório da Prefeitura, a responsável pela pasta que monitora o avanço da Covid-19 na cidade fez um verdadeiro desabafo contra as pessoas que insistem em sair de casa sem qualquer necessidade. Ao citar outros municípios que voltaram a restringir as atividades econômicas consideradas não essenciais, questionou se é este o caminho que os itabiranos desejam seguir.
“Péssimo! É péssimo. E, cada um de nós, com os veículos que tem nas mãos, vamos juntos tentar proteger a nossa comunidade. Para que ela entenda que eu dependo da responsabilidade individual de cada um. É péssimo! Não tem precisão alguma, não é hora disso. Se não tiver responsabilidade, vamos ter que restringir. Para mim, é um trabalhão; para nossos profissionais de saúde, duzentas vezes mais preocupação”, criticou a secretária de Saúde ao pedir apoio dos jornalistas em ações de conscientização.
Acompanhamento
Nesta terça-feira, Itabira atingiu 504 casos confirmados de covid-19. De acordo com a secretária, os leitos de UTI e enfermaria continuam praticamente vazios. Atualmente, há somente dois itabiranos internados, um em terapia intensiva e outro em unidade convencional, mesmo assim com notificações ainda consideradas suspeitas, pois aguardam resultado de exame. É este cenário, segundo Rosana, que ainda permite ao município manter a maior parte das atividades econômicas em funcionamento.
O pensamento do governo, no entanto, pode mudar de acordo com a intensificação de internações e menor disponibilidade de leitos exclusivos para infectados pelo novo coronavírus. O monitoramento, afirma a secretária, “é a todo momento e a cada dia”.
“Em qualquer sinal de alteração, vamos viver alterações de procedimentos dentro da cidade. Não se engane se por motivo de flexibilização ou as empresas estarem trabalhando, que a gente está sem este olhar. Não! O olhar é continuado. Nós só não tivemos, até agora, alteração de registros que indiquem a necessidade de novas condutas. Mas, se acontecer, elas virão”, avisou Rosana.

Exemplos próximos
Em um ponto de sua fala, a secretária de Saúde de Itabira citou casos de cidades próximas que precisaram rever as medidas de flexibilização por causa da intensificação da doença, como Betim e Ipatinga. E questionou aos itabiranos se eles querem o mesmo para cidade onde vivem.
“Betim virou um carnaval e começou a fechar, Ipatinga está fechando… é esse o nosso caminho? Para que ir na loja cheia, para que ir todo dia na rua? Nós chegamos a fazer o absurdo que é retirar o direito dos idosos de ser transportado de graça nos horários de rush de tanto que eles estavam indo. Para que isso, me conta? A gente sabe que tem risco. Se não há risco para mim, tem para o próximo, ele não sabe se pode ter um problema. Gente, vamos ter responsabilidade. Como é isso? É fechar todas as praças, é fechar todos os bares? É isso que a população quer?”, desabafou a secretária.
Também durante a coletiva, o prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) foi questionado se pensava na necessidade de cercar praças na cidade, principalmente a do Areão, que tem recebido muitas pessoas nos finais de semana. Ao responder, ele elogiou o trabalho de fiscalização que tem sido feito em Itabira e descartou a medida imediatamente. “Por enquanto, não chegamos a esse ponto. Se fechar, as pessoas não obedecem da mesma forma. Acontece em todo país”, lamentou o chefe do Executivo, ao pedir “mais consciência” aos cidadãos.
O poder do vírus
Rosana Linhares pediu que os itabiranos caminhem no sentido de ter uma cidade funcionando “com responsabilidade e parcimônia”. Ela defendeu que de nada adiantará as medidas determinadas pelo município se as pessoas não se conscientizarem. Citou como exemplo o Dia dos Namorados, cujo horário do comércio foi estendido para tentar evitar aglomerações nas lojas.
“Se está cheia a loja, não entre! Se está cheio o supermercado, não entre! Não tem necessidade”, pediu a secretária, antes de falar sobre o poder de propagação do novo coronavírus e suas consequências:
“O vírus não negocia, ele só quer saber de contato para viver. É um organismo que depende do ser humano para sobreviver. Se a gente deixar, ele vai propagar, vai viver mais tempo e vai acabar com a economia local e com a energia de todo mundo. Nós vamos viver isso quanto tempo? Vamos fazer uma conscientização para que a cidade entenda que nós estamos dependendo de cada cidadão para fazer sua parte”.